Efeito protetor do ácido fólico contra intoxicação fetal com lodo de estação de tratamento de água em modelo de zebrafish (danio rerio)
Animais aquáticos; Ecotoxicidade; Peixe; Resíduos sólidos.
O processo de potabilização da água gera resíduo sólido, principalmente na decantação, devido aos produtos químicos adicionados na etapa de coagulação. A disposição final desse resíduo sólido (lodo) sem tratamento prévio em corpos hídricos é uma grande problemática, uma vez que o lodo contém metais. Essa ação pode induzir a toxicidade aos organismos aquáticos, a qualidade da água e a saúde humana, principalmente quando elevadas concentrações de metais estão presentes no lodo. Diante disso, faz-se necessário avaliar parâmetros que retratem a real magnitude dos impactos ecotoxicológicos. A utilização de modelos animais, a exemplo do zebrafish, podem servir como ferramentas sensíveis para detectar possíveis riscos ambientais ocasionados por compostos químicos. Além disso, o zebrafish também pode ser usado como modelo de intoxicação fetal humano, visto que as primeiras 24 horas deste animal correspondem ao primeiro trimestre do desenvolvimento fetal humano. Neste sentido, o presente trabalho visa avaliar o efeito protetor do ácido fólico contra intoxicação fetal por lodo da estação de tratamento de água no modelo zebrafish (Danio rerio). O mapeamento da produção científica sobre a utilização do zebrafish, na fase embrionária e larval, permitiu constatar a relevância como modelo animal para análises toxicológicas de efluentes e resíduos. Foram encontrados 88 documentos no horizonte de dez anos (2013 a 2023). A China liderou a quantidade de artigos publicados (15 artigos). Os estudos indicaram uma tendência quanto aos principais efluentes e resíduos sólidos (farmacêutico, curtume, hospitalar, petróleo e corantes têxteis). Em relação ao lodo foi realizado a solubilização e obtido o elutriato. Depois, a caracterização físico-química do lodo e eluitriato foi estudada sendo avaliados: (pH), turbidez, condutividade elétrica, cor, série de sólidos, demanda química de oxigênio (DQO), teor de cloreto e metais. Após exposição das diluições individuais do elutriato baseadas na NBR 15088 (ABNT, 2016) e misturas entre o ácido fólico e elutriato, os efeitos tóxicos foram avaliados em modelo de intoxicação fetal de zebrafish em relação a epibolia em 8 horas pós-fertilização (hpf) e animais afetados (mortalidade e efeitos teratogênicos – em 24 hpf). Considerando a avaliação da toxicidade em 8 hpf e 24 hpf, as diluições do elutriato não foram potencialmente tóxicas. Em relação a avaliação do efeito protetor do ácido fólico, o Ácido Fólico (AF) isolado aumentou o percentual de epibolia nos embriões – AF 75 μM (79,89%) e AF 100 μM (84,07%). Contudo quando combinado com o elutriato (ELU) de ETA houve uma redução no percentual de epibolia – AF 50 μM + ELU 100% (60,31%); AF 75 μM + ELU 100% (58,77%); AF 100 μM + ELU 100% (62,94). Concluímos que o elutriato de ETA não foi tóxico para os parâmetros avaliados neste estudo, confirmando a NBR 10.004 (ABNT, 2004), a qual enquadra o lodo como resíduo classe II, não perigoso. Entretanto, quando combinado com o ácido fólico foi possível observar toxicidade nos parâmetros avaliados demonstrando a complexidade de se estudar a interação com amostras reais em modelos animais.