A agrofloresta como estratégia de sequestro de carbono, produção de serapilheira e atividade microbiana.
Sustentabilidade ambiental, biomassa, sistemas conservacionistas.
O entendimento dos fluxos de carbono na biomassa é essencial para a gestão de uso do solo, a promoção de serviços ambientais, a exemplo do armazenamento e sequestro de carbono. Esta pesquisa buscou mensurar a contribuição do aporte de serrapilheira e no armazenamento do carbono proporcionada pelos Sistemas Agroflorestais (SAFs) com plantio de café sombreado, situados em um Brejo de Altitude em Pernambuco, no A serrapilheira, formada por folhas, galhos e outros resíduos orgânicos, exerce um papel crucial na manutenção da fertilidade do solo devido a sua influência na ciclagem de nutrientes. As SAFs têm se mostrado eficazes na captura de carbono, atuando como sumidouros de CO2 e contribuindo na mitigação das mudanças climáticas. Os objetivos deste estudo foram: quantificar o aporte de serrapilheira e os teores de carbono acima do solo nos SAFs e avaliar a atividade microbiana nesse sistema de uso do solo. A pesquisa destaca a importância dos SAFs no sequestro de carbono e na promoção da biodiversidade microbiana, o que favorece a sustentabilidade ambiental e a produção agrícola. A produção de serapilheira apresentou variações temporais, tendo sido observado um aporte desse material na Mata Nativa Secundária (MNS) (858,06 kg/ha/mês) em comparação ao SAF (807,11 kg/ha/mês). Com relação a porcentagem das frações que compões a serrapilheira (folhas, galhos, estruturas reprodutivas), a fração foliar foi predominante nos dois sistemas, constituindo cerca de 79% no SAF e 68% na MNS da serrapilheira aportada sobe o solo. O incremento da serapilheira na MNS acompanhou a precipitação, enquanto essa tendência não foi observada no SAF. Os resultados estão alinhados com a literatura a respeito do tema, evidenciando a contribuição das espécies vegetais para a deposição de matéria orgânica. No SAF, o estoque de biomassa viva acima do solo foi de 330 t/ha, correspondendo a 155,1 t/ha de carbono, valores superiores aos registrados na MNS (67 t/ha de biomassa e 31 t/ha de carbono). A maior biomassa e estoque de carbono no SAFs refletem o desenvolvimento do componente arbóreo e a diversidade de espécies vegetal, favorecendo o sequestro e armazenamento de carbono atmosférico. A análise de correlação de Pearson indicou uma forte relação positiva entre biomassa e o carbono (r = 0,997). O SAF apresentou maior densidade microbiana em relação à MNS, especialmente de fungos. No período de estiagem, os fungos no SAF alcançaram média de 10,0 × 10⁵ UFC/g, enquanto no período chuvoso houve redução significativa devido à lixiviação. Os fungos identificados incluíram Aspergillus, Penicillium, Simplicillium e Trichoderma. A elevada população microbiana nos dois sistemas de uso do solo (SUS) ocorre em virtude da manutenção das condições edáficas favoráveis, comprovado pela correlação positiva entre o número de UFC e o pH e a umidade do solo. Os resultados ressaltam a relevância dos SAFs como modelos conservacionistas, promovendo maior produtividade do solo, estocagem de carbono e biodiversidade microbiana em comparação às MNS. Esses sistemas destacam-se como ferramentas importantes para a conservação ambiental, associado a produção agrícola com a preservação ambiental.