Pegada Hídrica Cinza de agrotóxicos aplicados a cultura de manga Tommy Atkins no Vale do São Francisco, Brasil
Pegada Hídrica Cinza; Mistura de agrotóxicos; Manga Tommy Atkins.
O cultivo da mangueira é observado em todas as localidades, em especial no Nordeste na região do Vale do São Francisco. Um dos principais cultivares da região é a manga Tommy Atkins. O sucesso do cultivo da manga no semiárido se deve ao diferencial de produzir o ano inteiro devido ao sistema de irrigação, utilizando as águas do Rio São Francisco, e o uso de agrotóxicos, em especial os reguladores de crescimento para promover a indução floral. No entanto, o uso intensivo de agrotóxicos na produção de alimentos tem gerado preocupação no contexto ambiental e de saúde pública. Ainda, a produção de manga na região gera uma elevada pegada hídrica. Os agrotóxicos aplicados podem atingir os corpos hídricos superficiais e subterrâneos, por meio do escoamento superficial e da lixiviação. Assim, uma boa alternativa para estimar o volume de água contaminada pelas misturas de agrotóxicos é a pegada hídrica cinza. Neste contexto, o objetivo geral do presente estudo foi estimar a pegada hídrica cinza da mistura de agrotóxicos aplicada na cultura de manga Tommy Atkins no Vale do São Francisco. Para alcançar este objetivo, foi realizada a caracterização do solo da parcela de cultivo, a avaliação potencial da contaminação dos corpos hídricos pelos agrotóxicos utilizando o Índice de GUS e o método de GOSS e a aplicação de dois modelos, o modelo de Hoekstra et al. (2011) e o de Paraiba et al. (2014) para estimar o Volume de Água Cinza (VAC) e elaborar um ranking de agrotóxicos, classificando-os em ordem de acordo com o VAC que geram. Os resultados apontaram que, embora o solo da região seja arenoso e vulnerável à lixiviação, os princípios ativos aplicados na cultura podem ser considerados de baixo potencial de contaminação das águas subterrâneas por lixiviação e de baixo a médio risco de contaminar os corpos hídricos superficiais. O VAC da mistura de agrotóxicos foi da ordem de grandeza de 106 m3 ha-1 para o modelo de Hoekstra et al. (2011) e de 107 para o de Paraiba et al. (2014). Podendo concluir que o modelo de Paraiba et al. (2014) é mais conservador do meio ambiente, por considerar a toxicidade para organismos não-alvo. Ademais, é possível concluir que a pegada hídrica cinza da mistura de agrotóxicos aplicada na cultura foi elevada em ambos os modelos. Não existem outros trabalhos na região que tenham realizado essa estimativa, de modo que os resultados encontrados podem ser uma ferramenta importante para a escolha de agrotóxicos menos poluentes a serem aplicados na cultura.