Avaliação da qualidade do ar em área influenciada por Complexo Industrial e Portuário em Pernambuco
Poluição atmosférica; Emissões industriais; Emissões portuárias; Hysplit; Cluster analysis.
A poluição atmosférica é uma problemática bastante antiga, e o constante aumento na demanda por bens e serviçosocasionou também no aumento da degradação da qualidade do ar, resultando na criação de políticas de controle emitigação de emissão de poluentes. Emissões industriais e portuárias são importantes contribuintes no lançamentode contaminantes atmosféricos, principalmente quando estão aglomerados no mesmo local, como em ComplexosIndustriais Portuários. No entanto, apesar dos efeitos adversos serem amplamente difundidos, as legislações e omonitoramento da qualidade do ar ainda são muito precários no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordestedo país. Em todo o estado de Pernambuco, há apenas cinco estações de monitoramento da qualidade do ar ativas euma desativada, todas localizadas no entorno do Complexo Industrial Portuário de Suape (CIPS). Estas questõesexplicitam a necessidade de alternativas de fiscalização, como através da implementação do uso de sistemas demodelagem atmosférica. Devido às problemáticas expostas, este estudo teve como objetivo realizar o diagnóstico daqualidade do ar no entorno do CIPS e analisar o uso de um modelo atmosférico como alternativa para ummonitoramento mais amplo. Para isso, foram analisados os dados de cinco poluentes (CO, MP10, NO2, O3 e SO2)em cinco estações de monitoramento da qualidade do ar (Estações CPRH, Cupe, Gaibu, IFPE e Ipojuca) localizadasna Região Metropolitana do Recife, em Pernambuco, entre os anos de 2017 e 2021. Para analisar a qualidade do arlocal, as concentrações obtidas foram comparadas com o padrão final (PF) estabelecido na Resolução Conama nº491/2018. Dados meteorológicos também foram aplicados para identificar as principais direções do vento durantetodo o período estudado e nos momentos em que os PFs são ultrapassados. Além disso, foi utilizado o modeloatmosférico Hysplit (Hybrid Single-Particle Lagrangian Integrated Trajectory) com aplicação de simulações detrajetórias backward junto ao método de cluster analysis para identificar as possíveis fontes poluidoras passíveis deformar o poluente secundário O3. A partir dos métodos empregados, foi possível observar que, além da baixaquantidade de estações de monitoramento presentes no estado, as informações divulgadas são bastante falhas, eque a maior parte das concentrações monitoradas não excederam o PF. Dentre os casos de ultrapassagem (221eventos) do PF, o MP10 foi o poluente que excedeu este limite mais vezes (132 dias). De acordo com o regime dosventos, é possível que os casos de ultrapassagem em todas as estações estudadas estejam relacionados com asemissões industriais e portuárias do CIPS. O ozônio foi outro poluente que se destacou, apresentando 214 médiasmóveis horárias acima do PF. Através da cluster analysis de trajetórias backward, foi observado que 89% dastrajetórias de ar foram originadas no oceano e 11% na área do CIPS, podendo ter como precursores o NOx emitidospelos navios e os COVs pelas petroquímicas. Diante dos resultados obtidos, foi possível concluir que tanto asatividades industriais quanto as portuárias desenvolvidas no CIPS são significativas potenciais fontes de poluiçãoatmosférica.