Atributos físicos e biológicos do solo sob manejo convencional e agroflorestal do Coffea Arabica L. e suas relações com as variáveis sensoriais
Cafeicultura; Manejo sustentável; Propriedades do solo; Qualidade sensorial
A cafeicultura exerce papel estratégico na economia de diversos países em desenvolvimento. No Brasil,destaca-se como uma das principais atividades agrícolas, com ampla relevância socioeconômica.Entretanto, o uso predominante de práticas convencionais no cultivo de Coffea arábica L. tem geradopreocupações quanto à sustentabilidade do sistema, especialmente pelos impactos sobre os atributos dosolo e a qualidade final da bebida. Diante disso, este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos domanejo convencional e agroflorestal sobre os atributos físicos e biológicos do solo, bem como nasvariáveis sensoriais do café, no estado de Pernambuco. O experimento foi conduzido em Garanhuns – PE,em duas áreas cultivadas com café, uma sob sistema agroflorestal (sombreado) e outra convencional (apleno sol), utilizando delineamento em grid amostral com 36 pontos por área. Determinou-se os atributosfísicos do solo, incluindo a distribuição das frações granulométricas, argila dispersa em água, grau defloculação, condutividade hidráulica saturada em campo, densidade do solo e de partículas, porosidadetotal e sua distribuição, resistência à penetração, resistência tênsil e estabilidade de agregados. Avaliaram-se ainda os atributos biológicos do solo, o carbono e o nitrogênio da biomassa microbiana, a respiraçãobasal, os quocientes microbiano, metabólico e de mineralização, os teores de matéria orgânica e carbonoorgânico total, além da caracterização química do solo. Em relação ao café, analisaram-se suas variáveis:físico-químicas (pH, acidez titulável e sólidos solúveis); compostos cromáticos (L*, a*, b*, C*, Hº);bioativos (polifenóis, flavonoides, taninos, flavonóis e antocianinas); e características sensoriais, pormeio de provadores treinados (Método de Rede) e 120 consumidores (Método CATA). Os resultadosdemonstraram que o sistema agroflorestal promoveu condições de solo mais favoráveis, com maiormacroporosidade, condutividade hidráulica saturada superior e menor resistência à penetração na camadade 15-30 cm, além de maior umidade gravimétrica. O manejo convencional, embora com maiorporosidade total, não demonstrou melhor conservação de umidade. Em termos biológicos, o sistemaagroflorestal apresentou maiores teores de carbono da biomassa microbiana e de carbono orgânico total,indicando uma microbiota mais ativa e eficiente e maior acúmulo de carbono. A análise de componentesprincipais reforçou essa distinção, associando o manejo agroflorestal a melhores condições físico-biológicas do solo. Quanto à qualidade do café, o sistema agroflorestal resultou em grãos com maior acidez titulável, trigonelina e ácido cafeico, que influenciaram positivamente notas sensoriais como “melde engenho” e “aroma terroso”. O café sob sistema convencional apresentou teores mais elevados decafeína e ácido 5-CQA. Apesar dessas variações em atributos específicos, não houve diferenças sensoriaismarcantes, ou na aceitação geral do café, pelos consumidores entre os manejos analisados. Conclui-seque o sistema agroflorestal se destacou por proporcionar melhores condições físico-biológicas ao solo efavorecer a presença de compostos bioativos relevantes na bebida. Embora os impactos sensoriais nabebida não tenham demonstrado uma superioridade clara, em todos os aspectos avaliados, a abordagemagroflorestal representa uma alternativa sustentável e viável para a cafeicultura, com potencial parafuturas pesquisas que consolidem essa recomendação.