Inertização de lodo têxtil em concreto para uso em pavimento intertravado
Lodo têxtil; adição; concreto; pavimento intertravado; inertização.
O lodo têxtil, também conhecido como lodo de tingimento ou resíduo têxtil, refere-se aos resíduos sólidos que são gerados durante o processo de tingimento de tecidos na indústria têxtil. Estes resíduos podem incluir substâncias químicas, corantes, solventes, fibras de tecido e outras impurezas que são lavadas ou filtradas durante o processo de tingimento. Esse resíduo pode afetar o meio ambiente de várias maneiras negativas, incluindo a contaminação da água e do solo, impactando a saúde humana. Além disso, alguns processos de tratamento do lodo podem emitir gases tóxicos, contribuindo para a poluição do ar. Essa poluição ambiental destaca a importância de práticas sustentáveis de gestão de resíduos da indústria têxtil para mitigar esses impactos adversos. O estudo em questão pretende realizar a destinação ambientalmente adequada do lodo têxtil, através da análise da viabilidade de inertização do resíduo no concreto para fins de utilização em pavimentos intertravados, em adição de 6%, 8% e 10% em relação ao agregado miúdo natural utilizado (areia lavada). Para a dosagem de concreto, utilizou-se o método desenvolvido pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), definindo-se um traço na proporção de 1: 1,19: 2,18: 0,40 (cimento, areia, brita e água, respectivamente), a partir do qual moldaram-se blocos prismáticos de concreto com e sem a adição do resíduo têxtil. Após o período de cura de 28 dias, foram realizados ensaios de resistência à compressão axial e ensaios de absorção de água para avaliar se os blocos moldados com adição de lodo enquadram-se nos parâmetros de resistência à compressão e absorção de água estabelecidos pela NBR 9781/2013, sendo 35 Mpa de resistência mínima e 6% como limite máximo aceitável para absorção de água em peças de concreto para pavimentação. Para obter uma compreensão mais abrangente das composições físicas e químicas do lodo têxtil, foram realizados ensaios de caracterização, como o teor de umidade, massa específica, granulometria, teor de matéria orgânica, análise da composição química através do ensaio de florescência Raio-X (FRX) e avaliação do comportamento do resíduo a variações de temperatura por meio da análise térmica (TG/DTG). Os blocos moldados apresentaram diminuição gradativa na resistência à compressão axial à medida em que se aumentavam os percentuais de lodo adicionados ao concreto, alcançando, porém, a resistência desejada de 35 Mpa em todos os percentuais de lodo adicionados. A absorção de água dos blocos moldados aumentou de forma diretamente proporcional à quantidade de lodo têxtil adicionado em cada dosagem, mas mantendo-se abaixo de 6%. O teor de umidade média do lodo têxtil foi de 67,7%, o teor de matéria orgânica 4,6%, o módulo de finura 2,95 e a dimensão máxima de 4,75 mm. Quanto à composição química destacam-se a presença de óxido de cálcio (CaO), Dióxido de Silício (SiO2) e óxido de alumínio (Al2O3). A massa específica do lodo foi de 1,85 g/cm³, sendo 26,67% mais leve do que o agregado miúdo utilizado em estudo. Os blocos de concreto moldados com adição de lodo apresentaram-se como uma estratégia de destinação ambientalmente correta do resíduo, ao mesmo tempo em que aumentou o volume de produção em 14,29% nos traços moldados com 8% e 10% de adição de lodo têxtil.