Avaliação da ecotoxicidade dos resíduos gerados em lavanderia do polo têxtil do Agreste de Pernambuco utilizando como bioindicador o peixe zebrafish (danio rerio)
Indústria têxtil; efluente; lodo; toxicidade; animais aquáticos.
As lavanderias fazem parte do processo têxtil e geram grandes quantidades de efluentes (resíduos líquidos) que obrigatoriamente passam por tratamento antes do descarte nos corpos hídricos. O tratamento físico-químico gera o lodo têxtil, classificado como resíduo sólido não perigoso. A disposição do efluente tratado nos corpos hídricos está sujeita a análises físico-químicas e teste de ecotoxicidade para determinação da nocividade do composto no ambiente. Neste sentido, o presente trabalho visa analisar a ecotoxicidade dos resíduos gerados na Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) de uma lavanderia do Polo Têxtil do Agreste do Pernambuco, localizada na cidade de Caruaru. O mapeamento das publicações científicas acerca do tema permitiu classificar o zebrafish como um modelo promissor para análises ecotoxicológicas de efluentes têxteis, com destaque para análises embrionárias e larvais, por serem de baixo custo, necessitarem de um curto período de tempo e respeitarem uma norma internacionalmente imposta (OCDE 236). Neste sentido foi avaliado o impacto dos efluentes e do lodo têxtil na fase embrionária e larval do zebrafish. Para o lodo foi realizado a solubilização e obtido o elutriato. Os efluentes e o lodo foram caracterizados em virtudes de análises físico-químicas, foram avaliados pH, cor, turbidez, alcalinidade, cloreto, DQO, dureza total, sólidos e metais. Para as análises ecotoxicológicas inicialmente foi o avaliado o desenvolvimento embrionário em 8 horas após a fertilização (hpf), por meio da epibolia, essa análise permitiu a determinação das diluições ideias de cada efluente e do lodo, considerando a baixa coagulação (mortalidade) e o atraso no desenvolvimento, com base nesses princípios as diluições estabelecidas para os testes de ecotoxicidade até 144 hpf, foram: ET 6,3 %, ET 12,5%, EB 6,3%, ELU 6,3%. Considerados todos os testes realizados o ELU 6,3% apresentou maior toxicidade, com retardo no desenvolvimento em todos os tempos estudados e alta mortalidade, indicando a alta toxicidade do lodo. Os animais afetados expostos ao EB 6,3%, ET 12,5% e ET 6,3% apresentaram deformação de coluna, deformação de cauda, edema de saco vitelínico e edema de pericárdio. Houve alteração na frequência cardíaca dos animais exposto ao ET 12% e EB 6,3%. Todos os efluentes afetaram a sensibilidade ao toque e a tigmotaxia indicando neurotoxicidade. Deste modo, observa-se que por mais que o tratamento do efluente bruto tenha se apresentado eficiente para redução de alguns parâmetros e da NBR 10004/2004 classificar o lodo como resíduo classe II, não perigoso, quando submetemos os efluentes e o elutriato do lodo a análises ecotoxicológico mais complexas, como o estudo do desenvolvimento e comportamento animal, se observa que esses resíduos são tóxicos até mesmo em amostras diluídas. Alguns parâmetros avaliados neste estudo não são citados nas legislações, mas podem afetar a vida aquática. Dentre eles destaca-se a DQO que apresentou valores elevados em todas as amostras avaliadas, com maior destaque para o elutriato do lodo, indicando esse parâmetro como um possível agente tóxico. Do mesmo modo, o Al foi o segundo metal mais abundante em todas as amostras avaliadas, estudos demostram que o Al pode causar efeitos tóxicos no sistema nervoso, reprodutor e cardiovascular. Corroborando com as repostas neurotóxicas e as alterações cardiovasculares encontradas no presente estudo, indicado esse metal como um possível agente tóxico. Essas respostas ecotoxicológicas indicam que o efluente têxtil e o lodo possuem compostos que induzem a ecotoxicidade, com destaque para o atraso no desenvolvimento embrionário, danos teratogênicos, efeitos cardiovasculares e neurológicos.