A EDUCAÇÃO INTEGRAL NO ENSINO FUNDAMENTAL NOS ANOS FINAIS: um estudo de caso sobre a atuação de gestores e professores da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco
Educação Integral. Políticas Educacionais. Currículo. Ensino Fundamental.
Esta pesquisa tem como objeto de estudo a política de Educação Integral do Ensino Fundamental-anos finais. A educação integral vem sendo pauta de debates e se constituindo em sistemas de ensino estaduais e municipais, como uma das possibilidades de enfrentar o fracasso escolar, ao propor mais tempo para aprender na escola, constituindo um caminho para a educação pública brasileira como política educacional pública nacional. Nos últimos quinze anos, a Rede Estadual de Ensino de Pernambuco vem implementando a educação integral no Ensino Médio e, mais recentemente, em 2018, iniciou no Ensino Fundamental nos anos finais, com o compromisso de garantir o direito à educação integral aos estudantes desta etapa. Nesse sentido, esta pesquisa pretende investigar como vem sendo desenvolvida a política de educação integral e, particularmente, sua proposta curricular nesta rede de escolas, considerando que a formação integral passa pela organização da política curricular no Ensino Fundamental. Assim, o objetivo desta pesquisa é analisar a atuação de gestores e professores na execução do Programa de Educação Integral do Ensino Fundamental nos anos finais. Para isso, o referencial teórico fundamenta-se nos autores Stephen Ball, Jefferson Mainardes, Anísio Teixeira, Jaqueline Moll, Miguel Arroyo e Michel Apple. A abordagem metodológica é de natureza qualitativa, na qual realizamos o estudo de caso, tendo como referencial teórico analítico o Ciclo de Políticas de Stephen Ball. Utilizamos entrevistas semiestruturadas com gestores e professores da escola-estudo de caso, nas quais utilizamos o método de análise textual discursiva, proposto por Moraes e Galliazzi. Os resultados da pesquisa empírica na escola estudo de caso apresentam conflitos no currículo, com interferências comunitárias e de estrutura física prejudiciais ao desenvolvimento da aprendizagem dos estudantes, assim como, verificamos que o tempo estendido tem resultado em mais aula em sala e lacunas na Parte Diversificada do currículo no que se refere a formação humana integral. Verificamos uma atuação restrita por parte dos gestores e dos professores sobre o currículo de educação integral, entendida como desenvolvimento socioemocional. No entanto, vêm como positiva a educação integral proposta na política da Rede de ensino estadual e têm convicção de que realizam um trabalho de excelência no Ensino Fundamental anos finais. Esperamos que esta pesquisa agregue novas reflexões críticas sobre a política de educação integral no Ensino Fundamental nos anos finais, articulada a um projeto de educação brasileira, democrático e republicano.