Essa dissertação aborda o estudo de uma tradição cultural chamada farinhada, que acontece no assentamento de reforma agrária, chamado Planalto do Retiro, localizado no município de Touros, Rio Grande do Norte. Tendo como objetivo compreender os saberes-fazeres culturais do modo artesanal de fazer farinha de mandioca do assentamento, modo esse que nem sempre é entendido como um processo educativo pelas pessoas do local, essa pesquisa se insere no debate acerca de processos educacionais vivenciados no cotidiano das comunidades tradicionais, considerando a cultura popular como modo de vida e de reprodução socioeconômica e cultural dessas comunidades. Nosso percurso teórico- metodológico passa pelo diálogo com os estudos sobre campesinato/agricultura familiar, educação e cultura popular, entrelaçados com a discussão de conceitos necessários para perceber, no cotidiano , como a experiência embasa a construção de saberes-fazeres, o que nos possibilita entender a farinhada enquanto prática cultural coletiva educativa que se sustém por e sustenta uma comunidade educativa. Sendo um estudo de caráter qualitativo e exploratório, nosso caminhar metodológico foi permeado por dados construídos a partir de conversas, entrevistas narrativas e observação participante. Ao analisar os dados coletados, compreendemos a relação da construção da casa de farinha como um ato de resistência e as relações sociais envolvidas entre os moradores e moradoras do assentamento. Como também, nos possibilitou a entender o processo de socialização educativa dos saberes e fazeres que circulam na farinhada como um todo, dando ênfase ao modo de fazer farinha de mandioca, saberes e fazeres como, cuidar da terra, o modo de plantar e cozinhar a massa de mandioca. E por meio desta circulam os saberes e fazeres entre agricultores e agricultoras que buscam manter viva a cultura da farinhada e dar continuidade a tradição que foi herdada dos pais.. Outro ponto que foi possível concluir foi as modificações que alguns artefatos, que fazem parte do processo do modo de fazer farinha, foram submetidas aos avanços da tecnologia, no entanto, esses avanços não afetaram a essência desse processo cultural, tendo em vista, que o mesmo continua sendo produzido e fortalecido na base do diálogo, experiências compartilhadas entre os membros familiares e vizinhos, revivendo e recriando saberes e fazeres culturais da farinhada.