A pesquisa é o estudo das práticas e vivencias dos agricultores(as) familiares, do território do Sítio Cachoeira, comunidade rural de Jucati-PE na perspectiva de compreender as formas como a comunidade entende e pratica a agroecologia no território e como percebe a influência dessa prática sobre este. Praticamos a etnografia, que nos dá muitas possibilidades de explorar o campo das relações sociais e coletivas vivenciadas na comunidade, e nos permite inserir nossa pesquisa numa relação de reciprocidade e mutualidade entre pesquisadora e pessoas da comunidade, que é a minha comunidade de vida. Por isso, nas estratégias metodológicas, nos valemos tanto de entrevista narrativa, gravada em meio digital, como da conversa, gravada na mente e transcrita no caderno de campo, onde estão também observações que vem da itinerância cotidiana nesse campo, além de registros de cenas, falas e práticas sociais vivenciadas, tudo acompanhado de documentação fotográfica. Dialogamos com a realidade observada a partir dos conceitos de agroecologia, território camponês e desenvolvimento territorial, buscando entender as implicações desses a partir da perspectiva da Educação do Campo e a potente relação desta com a perspectiva epistemológica Decolonial. Isto nos dá subsídios para considerar as formas que os diferentes povos e trabalhadores do campo se organizam e buscam melhores condições de vida, na relação deles com o território/lugar de vida e suas interrelações com as instituições públicas e privadas que atravessam o território com demandas externas que buscam impor outras dinâmicas de produção e desenvolvimento. Assim, a pesquisa se dá nesse fluxo entrelaçado de forças sociais que buscam a agroecologia e a educação do campo para promover relações mais sustentáveis e favoráveis aos trabalhadores/agricultores familiares frente as forças sociais com interesses patrimonialistas própria de uma visão de desenvolvimento dos latifundiários e do agronegócio. Neste sentido,a educação do campo de que trata esta pesquisa é aquela que faz parte da vida cotidiana das famílias de agricultores, dos saberes que são construídos e transmitidos nos afazeres de homens e mulheres que trabalham no campo, educação do campo vivenciada e experimentada dentro da dinâmica de reprodução sociocultural das comunidades e territórios campesinos.