NARRATIVA DAS (DES)CONTINUIDADES: ANALISANDO AS INTERRELAÇÕES DO TRABALHO INFANTIL NA VIDA DE DISCENTES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO MUNICÍPIO DE CHÃ GRANDE
Crianças E Adolescentes; Trabalho Infantil; Direitos Humanos; Subjetividades; Narrativas; Educação de Jovens e Adultos.
As marcas sociais da estrutura do trabalho infantil afetam e segregam crianças e adolescentes de processos interacionais, interferindo em seu desenvolvimento escolar por considerar-se o cansaço extremo que as atividades podem causar, o baixo nível de frequência, a evasão escolar e o desempenho insuficiente nas atividades avaliativas propostas, sobretudo, em decorrência do curto tempo dedicado aos estudos devido ao envolvimento com situações de trabalho infantil. O presente estudo focaliza processos de desenvolvimento de jovens e adultos que vivenciaram experiências com trabalho infantil em sua trajetória, interromperam seus estudos e retornaram em outro momento. A partir da Teoria Bioecológica de Urie Bronfenbrenner, entende-se que as singularidades de cada pessoa acontecem num movimento entre sistemas interligados e atravessados por relações sociais e culturais. Compartilhamos essa concepção de pessoa como constituída sócio-historicamente em vários subsistemas interacionais em relação, e defendemos que processos de (des)continuidadesde si deixam marcas nas narrativas dos sujeitos, e guardam relações com processos sociais mais amplos, apontando para marcas históricas entre o trabalho infantil e a educação em contextos situados. Mais do que obedecer a uma lógica linear, esses sujeitos atuam numa multiplicidade de sistemas. Partindo desses pressupostos, o objetivo da pesquisa é compreender como as significações nas narrativas de jovens e adultos que frequentam a EJA no município de Chã Grande se relacionam ao trabalho infantil em suas trajetórias educacionais. O corpus da investigação será construído através de entrevistas autobiográficas realizadas com sujeitos que tiveram seus processos educacionais atravessados e interrompidos pelo trabalho infantil e que atualmente encontram-se matriculados regularmente na educação de jovens e adultos, do município de Chã Grande. Por meio dessas entrevistas e pela análise das narrativas apresentadas, pretende-se esboçar um panorama sobre os macrossistemas e suas interligações sob a construção da narrativa do sujeito.