Docência negra; Identidade racial; Racismo estrutural; Professoras negras; Universidade pública
A presença de mulheres negras no ensino superior brasileiro carrega marcas históricas de
luta e resistência. Inseridas em um espaço que, por séculos, lhes foi negado, essas
mulheres enfrentam diariamente as heranças do racismo estrutural e do sexismo, mas
também constroem caminhos de afirmação, de produção de saberes e de transformação
social. Nesse contexto, a universidade se apresenta, ao mesmo tempo, como um espaço
de exclusão e como um campo de disputa simbólica e epistemológica. A dissertação
investiga as trajetórias de docentes negras da Universidade Federal de Pernambuco
(UFPE), analisando como elas transformam suas vivências em estratégias de resistência
e afirmação identitária. Para isso, adota abordagem qualitativa e utiliza entrevistas
narrativas, buscando compreender de que forma suas experiências acadêmicas e pessoais
se entrelaçam na construção de suas práticas docentes. O estudo revelou que essas
professoras enfrentam obstáculos recorrentes, como a invisibilidade de suas produções, o
isolamento institucional e a deslegitimação de seus saberes. Ainda assim, elas elaboram
formas de resistência que vão desde a criação de redes de solidariedade até a valorização
de epistemologias próprias, baseadas na experiência vivida. Suas trajetórias demonstram
que ocupar a docência universitária não se limita a uma conquista individual, mas
constitui um ato político de transformação institucional e simbólica. Conclui-se que essas
docentes reconfiguram o espaço acadêmico ao inserir nele vozes historicamente
silenciadas. Suas narrativas evidenciam tanto os limites impostos por estruturas
discriminatórias quanto a potência de quem insiste em resistir e permanecer. Ao
afirmarem-se como produtoras de conhecimento e agentes de mudança, elas abrem
caminhos para que outras mulheres negras possam, no futuro, ocupar e ressignificar a
universidade.