Banca de DEFESA: VIVIANE REZENDE ALVES

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : VIVIANE REZENDE ALVES
DATA : 24/02/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Fundaj Apipucos
TÍTULO:

“O corpo tem memória agroecológica”: Herança afrikana e saberes do campesinato negro na EJA Quilombola de Lagoa da Pedra (PE) 

 


PALAVRAS-CHAVES:

Agroecologia da memória; Campesinato negro; Corpo-memória; Educação quilombola; Herança afrikana.


PÁGINAS: 198
RESUMO:

Esta dissertação investiga as confluências entre os saberes agroecológicos do campesinato negro quilombola e os processos educativos escolarizados vivenciados na Educação de Jovens e Adultos (EJA) da comunidade quilombola de Lagoa da Pedra, localizada no município de Bom Conselho (PE). Parte-se da compreensão de que o corpo é portador de memória e que essa memória, de matriz afrikana, se manifesta nas relações com a terra, nos modos de produzir alimentos, na oralidade e na organização comunitária, configurando uma agroecologia vivida, anterior à sua institucionalização enquanto campo científico. Ancorada em epistemes negrocentradas e contracoloniais, a pesquisa adota abordagem qualitativa e utiliza a Metodologia Ukumelana (MUká), compreendida como posicionamento ético, político e epistemológico que reconhece o território, o corpo-memória e a oralidade como lugares legítimos de produção de conhecimento. A investigação se constrói a partir da convivência com a comunidade, da Observação Aquilombada e da escuta de narrativas orais, compreendidas como tecnologias de preservação da memória coletiva e transmissão intergeracional de saberes. Os resultados evidenciam que a agricultura praticada em Lagoa da Pedra se organiza a partir de princípios agroecológicos baseados na biointeração, no cuidado com a terra, no tempo da natureza e na coletividade, expressando uma racionalidade própria do campesinato negro quilombola. Esses saberes, inscritos no corpo e na experiência histórica da comunidade, constituem o que a pesquisa denomina Agroecologia da Memória. No espaço escolar, especialmente no componente curricular obrigatório Agroecologia e Territorialidades Quilombolas da EJA, observa-se a confluência entre saberes orgânicos do território e saberes escolarizados, revelando a escola como extensão do território e espaço de valorização das experiências comunitárias. Conclui-se que o reconhecimento do corpo-memória e das heranças afrikano-diaspóricas nos processos educativos contribui para a construção de práticas pedagógicas contra-hegemônicas, reafirmando a centralidade dos saberes do campesinato negro quilombola na educação, na agroecologia e na luta pela permanência no território.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - WAGNER LINS LIRA
Interno - MOISES DE MELO SANTANA
Externo ao Programa - 2171015 - ARISTEU PORTELA JUNIOR - UFRPE
Notícia cadastrada em: 26/01/2026 15:38
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