Este estudo analisa a atuação do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua em Pernambuco (MNMMR/PE) como espaço de resistência diante do desmonte das políticas públicas voltadas às infâncias e adolescências, especialmente durante as gestões de Michel Temer (2016–2018) e Jair Bolsonaro (2019–2022). A pesquisa discute como o movimento, criado em 1985 e consolidado em Pernambuco, articula práticas político-pedagógicas para a garantia de direitos de crianças e adolescentes em situação de rua, em um contexto marcado por retrocessos sociais, avanço do neoliberalismo e neoconservadorismo. O referencial teórico baseia-se na Educação Popular (Freire), nas Epistemologias do Sul (Santos) e na Pedagogia Social de Rua (Graciani), articulando reflexões sobre participação, protagonismo e emancipação. Metodologicamente, trata-se de um estudo qualitativo, fundamentado na pesquisa participante, história oral e sistematização de experiências, com escuta de militantes e análise de documentos internos do MNMMR/PE. Os resultados apontam que, apesar do enfraquecimento da democracia participativa e das políticas sociais, o movimento mantém sua relevância ao promover formação política, fortalecer redes de solidariedade e construir estratégias micropolíticas de resistência. Conclui-se que a atuação do MNMMR/PE reafirma o papel dos movimentos sociais na defesa intransigente dos direitos humanos, na valorização dos saberes populares e na produção de alternativas para a dignidade das infâncias historicamente silenciadas.