AS FORMIGUINHAS DO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES/AS SEM-TETO: UM ESTUDO SOBRE OS PROCESSOS FORMATIVOS DA CRECHE MARIELLE FRANCO EM UMA PERSPECTIVA INTERSECCIONAL
A presente pesquisa tem como propósito compreender os processos formativos do Movimento dos(as) Trabalhadores(as) Sem Teto (MTST) em uma perspectiva interseccional, com foco no trabalho pedagógico desenvolvido na Creche Marielle Franco, única creche mantida pelo movimento em âmbito nacional. O objetivo geral consistiu em analisar as experiências formativas vivenciadas pelas crianças na Creche Marielle Franco, articulando-as às práticas políticas e pedagógicas do MTST sob a ótica da interseccionalidade. A pesquisa foi desenvolvida em uma abordagem qualitativa, por meio de análise documental, com tratamento dos dados a partir da análise textual discursiva. No contexto de retrocessos sociais e educacionais, o projeto da Creche Marielle Franco se consolida como um contraponto significativo, ao não se configurar como um espaço improvisado de cuidado infantil, mas como uma iniciativa baseada em um projeto político-pedagógico que valoriza a infância, a cultura local, a coletividade e o protagonismo comunitário. Nessa perspectiva, tanto a pedagogia dialógica crítica quanto a interseccionalidade orientam práticas que reconhecem as diferenças e contribuem para o desenvolvimento da consciência crítica e para a produção coletiva do conhecimento.