COSTURANDO AS RELAÇÕES DE CUIDADO ENTRE O TRABALHAR, MATERNAR E EDUCAR: O QUE “ESCREVIVEM” AS MULHERES MÃES SOLO, NEGRAS E PERIFÉRICAS, SOBRE AS ESCOLAS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DA CIDADE DE RECIFE.
crianças; cuidado; escola; maternidade solo; negras, periferia; rede municipal de ensino.
Esta pesquisa volta-se para a análise do direito à educação e à infância das crianças periféricas de Recife que vivenciam em arranjos familiares de maternidade solo e neles, encontram-se em situação de adultização por questões de precariedade em rede de apoio e efeitos relacionados à transferência do cuidado. Para o desenvolvimento da mesma, contamos com entrevistas semiestruturadas online, realizadas por videochamadas, através da plataforma Google Meet, com quatro mães solo negras periféricas, trabalhadoras da área do cuidado (doméstica, babá e cuidadora de idosos), que têm suas crianças/adolescentes em idade escolar, compreendida pela faixa etária atendida na Rede Municipal de Ensino da Cidade de Recife/Secretaria Municipal de Educação, matriculados dentre a modalidade Educação Infantil até o Ensino Fundamental II. O objetivo com esse estudo foi de compreender os desafios para a materialização do direito à educação e à infância de crianças e adolescentes que vivenciam em esses arranjos familiares, a partir da perspectiva e experiência de mulheres mães solo negras, numa análise através do método Bola de Neve, trazendo para o centro do debate intelectual, as reflexões sobre o cuidado, buscando evidenciar os atravessamentos entre o maternar, o trabalho do cuidado, a transferência de cuidado, direito à educação e direito à infância. Buscamos mapear como essas mães tecem a costura entre o trabalhar na área do cuidado, o uso do tempo gasto em relação às atividades voltadas ao cuidado, que não são remuneradas, as transferências de cuidado das mães solo negras, para com suas crianças maiores e/ou adolescentes (em casos de mais de uma criança por família), as redes de apoio e os processos relacionados à adultização que essas crianças são condicionadas a passar, principalmente quando se tornam a principal/única rede de apoio direta, existente nessa configuração familiar.