Trajetória de vida de travestis e transexuais que cumpriram medidas socioeducativa de privação de liberdade e passaram pelo sistema prisional: Educação, infâncias e identidades
Transexualidade, Sistema socioeducativo e prisional, Exclusão social.
O projeto de pesquisa tem como objeto central a análise das trajetórias de vida de mulheres travestis e transexuais que, na adolescência, cumpriram medidas socioeducativas de privação de liberdade e, na fase adulta, foram inseridas no sistema prisional. A investigação parte do reconhecimento de que esse grupo social, historicamente marginalizado, encontra-se em uma situação de extrema vulnerabilidade diante da intersecção entre identidade de gênero, juventude, raça e classe. A invisibilidade institucional, a ausência de políticas públicas específicas e o silenciamento de suas experiências no sistema de justiça juvenil evidenciam a persistência de uma lógica cis-heteronormativa, que opera a exclusão de sujeitos que não se adequam às normas de gênero e sexualidade dominantes. A pesquisa se propõe a tensionar o papel do Estado e suas instituições educativas e punitivas como agentes da necropolítica, que produzem e mantêm trajetórias marcadas pela exclusão, violência e negação de direitos. A metodologia adotada será qualitativa, com abordagem descritiva e exploratória, e o estudo de caso como método principal. Serão realizadas entrevistas semiestruturadas com mulheres travestis e transexuais egressas do sistema socioeducativo e prisional da Região Metropolitana do Recife. A análise das narrativas será orientada pela perspectiva da análise de discurso, com o intuito de compreender como essas experiências são atravessadas por estruturas sociais, culturais e institucionais que naturalizam a violência e impedem o acesso à cidadania plena. Ao dar visibilidade a essas histórias de vida, o projeto busca não apenas denunciar as violações sofridas por essa população, mas também contribuir para a construção de evidências que subsidiem políticas públicas intersetoriais, inclusivas e pautadas pelos direitos humanos. A dissertação está estruturada em quatro capítulos que articulam o debate teórico com a realidade empírica, culminando na análise de um estudo de caso que exemplifica os impactos da negligência familiar, da violência social e da omissão estatal sobre a trajetória de uma mulher transexual. Com isso, pretende-se romper com o ciclo de invisibilização e exclusão, propondo uma escuta ética, comprometida com a reparação e a transformação das estruturas que sustentam a desigualdade.