VOZES DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL NO RECIFE: TRAUMAS DA INFÂNCIA, DESENVOLVIMENTO HUMANO E PERCURSO EDUCACIONAL
Violência na infância; Traumas; Adultocentrismo; Desenvolvimento humano; Escuta protegida; Educação.
Esta proposta de pesquisa, desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Identidades da Universidade Federal Rural de Pernambuco (PPGECI/UFRPE), em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), tem como foco compreender, a partir de uma abordagem qualitativa e narrativa, como crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência em situação de acolhimento institucional percebem sua trajetória educacional e os efeitos dos traumas vivenciados em suas histórias de vida e como as práticas institucionais têm contribuído – ou não – para sua superação. Parte-se da compreensão de que a cultura adultocêntrica, historicamente enraizada no contexto brasileiro, contribui para a invisibilização das infâncias e para a reprodução de práticas institucionais que desconsideram as especificidades, os direitos e as subjetividades desses sujeitos. A pesquisa insere-se no campo dos Estudos Sociais da Infância e é orientada pela Doutrina da Proteção Integral, incorporando também referenciais que discutem o papel da escuta, do cuidado e das relações socioafetivas no enfrentamento das violências e na reconstrução de vínculos. O estudo busca problematizar a forma como o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente tem operacionalizado o atendimento a vítimas ou testemunhas de violência, à luz da Lei nº 13.431/2017, com especial atenção aos procedimentos de escuta especializada. A análise dos dados será realizada por meio da técnica de análise de conteúdo, com categorização temática dos relatos. Entre os objetivos específicos da pesquisa, destacam-se: analisar as memórias de traumas e as trajetórias de vida dos sujeitos; problematizar práticas de cuidado e tutela e suas repercussões no desenvolvimento humano; avaliar a presença de processos de revitimização institucional; investigar as práticas educativas no acolhimento institucional; e compreender os efeitos dessas experiências sobre o percurso escolar e a construção da autonomia. Ao discutir as limitações e potencialidades das práticas atuais, o estudo pretende contribuir para o aprimoramento das políticas públicas e dos serviços voltados à proteção integral de crianças e adolescentes.