O brincar livre é uma ferramenta poderosa que contribui para o desenvolvimento cognitivo, social, emocional e físico, além de fomentar a autonomia, a criatividade e a capacidade de inovação. É através do brincar livre que os bebês aprendem de forma ativa e significativa, construindo conhecimentos baseados em suas experiências diretas e interesses. Além disso, é uma forma essencial de gerenciamento das emoções, que ajuda no desenvolvimento do autocontrole e da regulação emocional. Portanto, este trabalho se baseia na seguinte pergunta: como o educador concebe e inclui o brincar livre na sua prática pedagógica? Neste sentido, trata-se de uma proposta de estudo de múltiplos casos, uma vez que se trata de uma pesquisa em uma creche, onde a coletividade é indispensável. Tem como o objetivo geral: compreender a concepção e a postura do adulto educador sobre o brincar livre e a repercussão disso na atividade autônoma dos bebês de 2 anos dentro da Creche Municipal 8 de Março, localizada no Ibura, no município do Recife. Além disso, temos como objetivos específicos: 1) Identificar se e como o brincar livre está inserido na prática pedagógica do educador e como ele o concebe; 2) Investigar quais são as configurações do brincar livre dos bebês considerando as atitudes do educador; 3) Analisar as possíveis atitudes do educador em relação ao brincar livre dos bebês. A base teórica da pesquisa encontra-se nos conceitos das pedagogias ativas, baseadas em Craidy e Kaercher (2012), Fochi (2013), Horn (2017), assim como a importância da creche a partir da fundamentação de Oliveira (1988) e as discussões sobre o cuidar e educar contidas nas DCNEI (Brasil, 2010). Para, o embasamento teórico, acerca do brincar livre amplamente relacionada à Abordagem Pikler (1969, FALK, 2021, 2022; SOARES, 2020; KÁLLÓ E BALOG, 2021). Recorreu-se a uma investigação qualitativa, que tem o objetivo de interpretar e entender a temática estudada (MINAYO, 2002). Como procedimento metodológico, recorremos aos registros videográficos com o objetivo de observar as diversas questões que surgem enquanto os bebês brincam, além das entrevistas semi-estrutura e projetiva, realizadas com a educadora. A observação foi feita com as crianças do grupo II do referido CMEI. Tivemos como inspiração para as análises dos dados coletados, a proposta pikleriana acerca do cuidado e educação dos bebês, com base na atividade autônoma, dentro do seu brincar livre (MOZES, 2016) e também a análise textual discursiva que tem como prioridade examinar discursos em diferentes contextos (MEDEIROS, 2017). Encontramos como resultado diferentes posturas da educadora, conforme a sua necessidade de atuação e diversas configurações do brincar livre dos bebês.