Esta pesquisa tem por missão compreender como a musicalidade da Capoeira Angola, em seus aspectos filosóficos, narrativos, instrumentais e socioeducacionais, auxiliam na formação de valores civilizatórios afrodiaspóricos e no pertencimento identitário de crianças e adolescentes em condições de vulnerabilidade social em espaços que possuem em sua matriz atividades dimensionadas pela Capoeira. Com isto, analisamos parte do amplo universo musical da Capoeira Angola em dois espaços reflexivos que trabalham esta expressão cultural como principal conexão pedagógica com as heranças africanas. Buscamos analisar as possibilidades criadas na pesquisa participativa em diálogo com literaturas afrocêntricas bem direcionadas a temática da proposta. Com um olhar entre meios, materializamos interpretações de quase dez anos de pesquisa e atuação direta, aproximando as diversas experiências educacionais com a afroperspectiva gerada na educação social, atribuindo aos fundamentos dos povos Bantu e Yorùbá expressos em atitudes, comportamentos, costumes e oralizações, como geradores de afroperspectiva e encontros transcendentais bio-ancestralicos. Focando o olhar deste recorte para os estudos da etnomusicologia e da antropologia (e educação). A ancestralidade como base epistêmica, a arte como musicalidade afrocentrada em debate e confluência com outras ramas culturais que desde séculos sinalizam para as problemáticas nacionais, mas que os estudos culturais ainda não adentraram integralmente.“Trabaia nego, nego trabaia”, traz uma narrativa sobre a pesquisa com uma endoperspectiva de um capoeirista/alabê/educador/pesquisador enquanto sujeito periférico, que nesta escrevivência operou em diversos setores trabalhistas, mas que na ginga musicada transgrediu da Maafa e na encruzilhada da Kalunga firma seu ponto com o quilombismo por essência na interpretação da ontologia negra neste gênero cria da afro diáspora, irmão do Candomblé, do Afoxé, do Samba, do Rap, do Reggae e que nos educam enquanto caminhar para revolução.