Docências (afro)ntosas e lacradoras: trajetórias de professores negros homoafetivos e suas práticas insurgentes no Nordeste falocêntrico
Trajetórias; Professores; Negros; Homossexuais; Interseccionalidades.
A onda neofascista que surgiu com a (des)governança de direita no Brasil nos últimos anos trouxe uma legitimação de discursos de ódio, especialmente contra pessoas que não atendem a uma heteronormatividade hegemônica. Aliados a essa agenda excludente, conservadora e criminosa, por meio de fake news e outras estratégias discriminatórias, pessoas racistas, misóginas, sexistas e homofóbicas tiveram um espaço privilegiado para pôr em prática o cerceamento do avanço de pautas educacionais inclusivas, tais como os estudos de gênero e sexualidades. Com isso, a população LGBTQIAP+ ficou mais exposta a crimes de ódio e violências em geral, gerando a necessidade de resistência e luta. Com base nesta realidade apocalíptica, este trabalho tem como escopo a análise de como epistemologias não baseadas no eurocentrismo e no paradigma científico dominante, bem como os processos de subjetivação da identidade homossexual e negra, numa visão pós-estruturalista, influenciaram a prática docente dos sujeitos da pesquisa num nordeste falocêntrico. Para verificação e registro dessas ações decoloniais atravessadas pela interseccionalidade que forma a identidade dos professores, será utilizada a metodologia da construção de autonarrativas biográficas, além de conversas com o intuito de rememorar suas trajetórias pessoais e profissionais insurgentes.