A ORGANIZAÇÃO DOS ESPAÇOS E MATERIAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL EM UM MUNICÍPIO DO AGRESTE PERNAMBUCANO: UM OLHAR INSPIRADO NA ABORDAGEM DE REGGIO EMILIA
Espaços. Materiais. Educação Infantil. Reggio Emilia. Concepção de criança.
Esta dissertação tem como objetivo analisar como a organização dos espaços e a seleção de materiais em uma Unidade Educacional de Educação Infantil de um município do Agreste Pernambucano reflete concepções pedagógicas e, em que medida, favorecem ações que potencializam a rotina dos bebês e das crianças pequenas. A investigação nasce de inquietações advindas da prática docente e se inspira nos princípios da abordagem de Reggio Emilia, que compreende o espaço como terceiro educador e defende uma escuta atenta às expressões infantis. A pesquisa, de natureza qualitativa, apoia-se em observações participantes e entrevistas com professoras de duas turmas: uma composta por bebês de 1 ano e outra por crianças pequenas de 3 anos, que marcam a entrada e a saída da creche. O estudo dialoga com autores que discutem a potência dos contextos educativos e a centralidade da criança, como Rinaldi (2016, 2024), Malaguzzi (1996, 2001), Formosinho e Oliveira-Formosinho (2019), Barbosa (2010, 2019), Horn (2004, 2021) e Bronfenbrenner (1996) entre outros, cujas contribuições ampliam a compreensão dos espaços como expressão das relações e das intenções pedagógicas. A análise evidenciou que os espaços e materiais expressam intencionalidades pedagógicas, ainda que nem sempre conscientes, e que há aproximações e distanciamentos com os princípios da abordagem italiana. Os achados apontam para a importância de pensar os ambientes como expressão da concepção de criança e como convite à autonomia, à curiosidade, a investigação e à participação ativa dos bebês e das crianças pequenas no cotidiano da creche.