AS EXPERIÊNCIAS DAS EDUCADORAS DA CRECHE MARIELLE FRANCO: Contribuições para a elaboração de uma pedagogia sem teto
MTST; Mulheres negras; Educação Popular; Pedagogia sem Teto; Experiência.
A pesquisa foi desenvolvida com a finalidade de investigar a construção de uma denominada “pedagogia sem teto”, a partir do olhar de três mulheres negras educadoras sobre o processo de implementação e funcionamento da Creche Marielle Franco, na Ocupação Carolina de Jesus, a primeira creche instituída pelo MTST- Movimento dos Trabalhadores sem Teto em Pernambuco. Com o objetivo de compreender como as mulheres educadoras da creche Marielle Franco influenciaram o processo de elaboração da chamada “pedagogia sem teto”, a pesquisa, de caráter qualitativo, buscou as narrativas dessas educadoras sobre suas experiências, por um lado, com as crianças, as famílias e a comunidade da ocupação e, por outro lado, com o coletivo de educação do MTST. Procura identificar e estabelecer relações entre princípios pedagógicos e ações educativas realizadas junto às crianças, como também nas relações com as famílias, comunidade da ocupação e mesmo com a militância e direção do movimento. Desta forma, problematiza o processo de implantação e funcionamento da creche a partir das experiências narradas pelas mulheres educadoras da creche, três mulheres negras e também por outra mulher, branca, coordenadora nacional do MTST-PE, em entrevistas narrativas conduzidas pela pesquisadora, que também foi uma das educadoras da creche. As narrativas biográficas e autobiográfica construídas por meio da metodologia adotada produziram, como resultado, uma problematização dos processos pautados no desenvolvimento integral de emancipação dos sujeitos das estruturas políticas, ideológicas e socioeconômicas, calcados na Educação Popular desenvolvida pelos movimentos sociais.