NARRATIVAS DE ACOMPANHANTES TERAPÊUTICOS DA CRIANÇA COM O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) NO AMBIENTE ESCOLAR : UMA ANÁLISE SOBRE FORMAÇÃO PROFISSIONAL, DESAFIOS E PERSPECTIVAS DA PRÁTICA
Acompanhante Terapêutico, Mediação, Educação Inclusiva, Transtorno do Espectro Autista (TEA)
A Lei N° 12.764/2012, conhecida também como Lei Berenice Piana, compõe um importante orientador na efetivação do acesso à educação de pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Nela, pode-se destacar a obrigatoriedade da mediação escolar a partir do acompanhamento especializado. A presença do Acompanhante Terapêutico (AT) como mediador no processo de ensino aprendizagem e inclusão assume um papel extremamente importante e multifacetado. A política de inclusão educacional da criança com TEA compreende que os sujeitos com deficiência devem ter acesso à educação, participar das atividades educativas e aprender. Este estudo tem como objetivo compreender significados e sentidos presentes nas narrativas de acompanhantes terapêuticos sobre sua formação e prática com crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em contextos escolares da cidade do Recife – PE. A metodologia adotada foi uma pesquisa exploratória, que buscou oferecer uma visão inicial do tema e identificar padrões e hipóteses. A investigação foi fundamentada na teoria histórico-cultural, considerando o papel relevante dado à interação social e aos artefatos, no espaço criado pelas condições contextualizadas da educação escolar. Utilizou-se a técnica do grupo focal remoto para explorar diferentes perspectivas sobre o Acompanhamento Terapêutico no contexto escolar com crianças com TEA, buscando compreender os sentidos expressos nas narrativas sobre sua formação e inserção no contexto escolar. A análise narrativa foi empregada como método de análise qualitativo, permitindo a compreensão dos sentidos construídos nas experiências relatadas. As narrativas foram analisadas individualmente e em conjunto, com foco na identificação de personagens, cenários, conflitos e posicionamentos, o que possibilitou a produção de unidades de sentido e eixos temáticos. Os resultados evidenciaram a precarização das condições de trabalho, a ausência de suporte institucional, a invisibilidade da função e os conflitos entre os saberes da saúde e da educação. Ao mesmo tempo, revelaram o engajamento ético das participantes, a importância da formação continuada e o desejo de reconhecimento profissional. Este estudo contribuiu com dados e reflexões que fortalecem o debate científico sobre inclusão escolar, mediação pedagógica e políticas públicas voltadas à atuação dos acompanhantes terapêuticos na educação.