MATERNIDADES ATÍPICAS EM TERRITÓRIOS INVISIBILIZADOS: Desafios da inclusão de crianças e adolescentes com deficiência na zona rural de Pernambuco
Mãe atípica; Capacitismo; Eficácia parental; Cuidado; Políticas públicas; Deficiência.
A presente dissertação investiga os limites da eficácia parental em contextos marcados pelo capacitismo estrutural, com foco na figura da mãe atípica, mulher que assume, em sua quase totalidade, o cuidado cotidiano de filhos com deficiência. A partir de uma abordagem qualitativa, fundamentada em referenciais dos estudos sobre deficiência, justiça social e gênero, a pesquisa evidencia como o modelo de cuidado vigente transfere para o ambiente doméstico a responsabilidade que deveria ser compartilhada pelo Estado. A experiência de mães cuidadoras revela a sobrecarga física, emocional e econômica decorrente da ausência de políticas públicas intersetoriais e do reconhecimento social de seu trabalho. Para este estudo apresentamos as trajetórias de mães de crianças e adolescentes com deficiência da zona rural de Pernambuco, considerando que desde uma perspectiva interseccional a origem ou permanência fora dos centros urbanos aprofunda a sobrecarga e desigualdade vivenciada por estas mulheres. A dissertação sustenta que a eficácia parental, nesse cenário, não pode ser concebida como uma competência exclusivamente individual, mas como resultado da articulação entre apoio familiar, comunitário e estatal. Conclui-se que romper com o ciclo da exclusão e da responsabilização materna exige o enfrentamento do capacitismo, a valorização do cuidado e a construção de redes públicas de apoio baseadas nos princípios da dignidade humana, da equidade e da corresponsabilidade social.