CONEXÃO ROÇA-ESCOLA: Territorialidades, Agroecologia e confluências entre processos educativos orgânicos e escolarizados na EJA da Comunidade Quilombola Lagoa da Pedra em Bom Conselho - PE
Agroecologia; Educação do Campo; Educação não-formal; EJA; Identidade Quilombola .
Este projeto investiga de que maneira a educação “não-formal” – aqui compreendida como educação orgânica – influencia e atravessa os processos educativos “sintéticos”, isto é, escolarizados, no contexto de uma turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Comunidade Quilombola Lagoa da Pedra, situada no Agreste de Pernambuco. A pesquisa se insere no cenário da implementação do Novo Ensino Médio no Brasil, tendo como foco a Parte Diversificada do currículo, com destaque para o Itinerário Formativo “Territorialidades Quilombola e Agroecologia”. Este itinerário é analisado como uma estratégia pedagógica contracolonial, que valoriza os saberes-fazeres ancestrais e confronta a colonialidade ainda presente nas práticas educativas hegemônicas. Ancorado no Paradigma Contracolonial e nos fundamentos da Afrocentricidade, o estudo dialoga com os aportes teóricos do Quilombismo, de Abdias do Nascimento (1980, 2020), da Quilombagem, de Clóvis Moura (1981, 2001, 2021), e da Contracolonização, de Antonio Bispo dos Santos (2015, 2023), buscando compreender as confluências entre os processos educativos orgânicos e escolarizados na EJA Quilombola. Em outras palavras, procura-se apreender como as cosmopercepções de herança afrikana presentes no campesinato negro-brasileiro se articulam às vivências escolares e comunitárias compartilhadas entre professores(as) de Práticas Agrícolas e estudantes. A abordagem metodológica adotada é a afro-diaspórica, conforme proposta por Gilroy (2007), assumida por meio de uma pesquisa qualitativa de cunho etnográfico, denominada aqui como Metodologia Ukumelana – termo em Zulu que significa “resistência”. Essa proposta reconhece a legitimidade da produção de saberes-fazeres culturais, espirituais e territoriais localizados; valida novas formas de produzir conhecimento (André, 2013; Carvalho, 2001, 2020, 2023); e afirma uma epistemologia quilombocentrada (ou quilombocêntrica). A análise dos dados será interpretativa e ocorrerá em três fases inspiradas nos ciclos agrícolas: preparo da terra, primeira colheita e segunda colheita, reafirmando, assim, uma epistemologia enraizada na ancestralidade, na oralidade e na relação com o território.