Esta pesquisa volta-se para a análise do direito à educação e à infância das crianças periféricas de Recife que vivenciam em arranjos familiares de maternidade solo e neles, encontram-se em situação de adultização por questões de precariedade em rede de apoio e efeitos relacionados à transferência do cuidado. Mediante enfrentamento da pandemia da Covid 19, nos deparamos com um cenário atípico de isolamento social e suspensão de aulas presenciais, nas escolas mundo afora. Com isso, o trabalho do cuidado com as crianças, em lares de famílias compostas por mulheres mães solos, pobres e periféricas, enfrentaram um agravamento em relação às demandas relacionadas ao campo do cuidado, que têm incidência direta sobre o acesso à educação e à infância. Sendo assim, buscamos compreender com esse estudo, os desafios para a materialização do direito à educação e à infância de crianças que vivenciam em arranjos familiares de maternidade solo, a partir da perspectiva de mulheres mães, numa análise que traga as reflexões sobre o trabalho de cuidado para o centro do debate, que partirá da experiência de crianças e mães de uma determinada Unidade Escolar da Rede Municipal de Ensino da Cidade do Recife, buscando evidenciar os atravessamentos entre trabalho de cuidado, direito à educação e infância. Buscaremos mapear o uso do tempo, transferência de cuidado, redes de apoio e processos relacionados à adultização que essas crianças são condicionadas a passar, principalmente quando se tornam a principal/única rede de apoio direta, existente na família e o quanto, a depender da demanda e direcionamento, esses afazeres domésticos podem ser entendidos enquanto exploração infantil, interferindo assim, em seu processo educacional, causando na maioria dos casos, a evasão escolar. Buscaremos obter as narrativas de nossas participantes, através de entrevistas semi estruturadas, com indicações das primeiras mulheres envolvidas na pesquisa da Escola, de onde será o ponto de partida do campo de investigação, para as demais personagens desse enredo, através do método conhecido como Bola de Neve. Isso na busca por contribuir com o debate sobre a relação da educação com a questão do cuidado, ampliando assim, a capacidade de cuidado nesses arranjos familiares, otimizando o tempo das mulheres, fazendo com que as crianças tenham um cuidado mais humanizado, com acesso maior a escola e educação, sendo a mesma concedida de forma em tempo integral, dentre outros serviços de apoio que propiciem cuidados e minimizem a necessidade das crianças, em sua maioria, meninas, de assumirem esse cuidado, além do auto cuidado, na intenção de uma melhor qualidade de vida para essas mulheres mães.