Nos últimos tempos, a aprendizagem socioemocional (ASE) tem se destacado como uma área fundamental para a evolução do indivíduo, influenciando positivamente os resultados escolares, a qualidade da saúde mental e o bem-estar pessoal e coletivo desde a infância (Durlak et al., 2011). Programas baseados em ASE e de caráter universal, como é o caso do Salto de Gigante, desenvolvido e implementado em Portugal por Correia (2015), revelaram-se promissores quanto às evidências de eficácia com crianças entre os 4 e 5 anos, destacando-se a melhoria do relacionamento entre pares, as habilidades de relacionamento social e o conhecimento das capacidades emocionais, que abarcam competências como autoconsciência, autorregulação, habilidades sociais, empatia e tomada de decisões responsáveis (Guia Casel, 2013). Diante da escassez de investigações que comprovem a implementação e validação desses programas no contexto brasileiro (Pfeilsticker, 2020; Freitas e Marin, 2022) e da restrição desses materiais didáticos em decorrência do custo cobrado pela editora detentora dos direitos de comercialização, mesmo para utilização em pesquisa (Ricarte, 2019), a parceria entre os centros universitários UFRPE e ULisboa tornou-se fundamental para termos acesso aos materiais que compõem o programa referido, permitindo sua tradução e adaptação para o contexto brasileiro. Tomando por base os parâmetros sugeridos por Borsa, Damásio e Bandeira (2012), realizamos a adequação do Salto de Gigante considerando as necessidades linguísticas e culturais das crianças do Brasil. A pesquisa se pautou na abordagem qualitativa (Minayo, 2001) e no uso de instrumentais como questionários e entrevistas semiestruturadas com grupos focais (Gil, 1999; Gatti, 1995) para compreender como a adequação do programa é percebida por educadores e psicólogos, diante da demanda pela aprendizagem socioemocional de crianças da Educação Infantil. O estudo revelou-se promissor para pensarmos em materiais adequados ao contexto do ensino pré-escolar, onde as crianças estão em um estágio crucial de desenvolvimento, o que envolve a construção de suas identidades e a aprendizagem para lidar com desafios interpessoais, destacando o papel ainda mais significativo da educação socioemocional. Portanto, fez-se fundamental considerar as contribuições das participantes quanto à melhoria e qualidade dos aspectos com vistas à promoção de ASE, assim como outros aspectos para serem explorados em estudos futuros. Desse modo, julgamos importante destacar que o programa pode ser recomendado para o uso em pesquisas, como estudo-piloto, tendo em vista a intencionalidade do desenvolvimento integral de crianças pré-escolares, contemplando a aprendizagem socioemocional.