O presente estudo busca cartografar táticas de organização e de produção artivistas como tramas na criação de narrativas estéticas e políticas a partir do Sul Global, compreendendo, no seio destas, a emergência de processos pedagógicos em permanente construção. De modo mais específico, a pesquisa se debruça a mapear pistas sobre a emergência de premissas e pressupostos sobre educação nas táticas desenvolvidas pela coletiva feminista antirracista Mostra Nacional TROVOA (BR) nos últimos 6 anos, em diálogo com cinco artistas integrantes do núcleo regional pernambucano da coletiva. A metodologia utilizada investe em uma cartografia (ROLNIK, 2011, ROLNIK; GUATTARI, 2006, KASTRUP; PASSOS; ESCÓSSIA, 2009) com insights A/R/Tográficos (DIAS; IRWIN, 2023) para acompanhar processos e tatear os sentidos coproduzidos nos encontros com a coletiva, convocando uma artesania da atenção e uma subjetivação ativa a partir das experiências vivenciadas na relação com essas mulheres. Quanto aos referenciais teóricos, a pesquisa se situa no campo dos feminismos decoloniais como marcos epistemológicos, éticos, estéticos, corpóreos e políticos (LUGONES, 2014, ANZALDÚA, 1987, CURIEL, 2019, GAGO, 2020, LORDE, 2021, KILOMBA, 2019), conversando com as possibilidades poéticas-políticas de construção de estéticas feministas decoloniais (BIDASECA; SIERRA, 2022). Para pensar as insurgências pedagógicas dessas poéticas-políticas dos artivismos feministas, o projeto de pesquisa tece vínculos com campo da educação popular a partir de algumas de suas referências basilares (FREIRE, 1987, PALUDO, 2005, STRECK, 2006, BRANDÃO, 2017), agregando a estas as perspectivas contemporâneas sobre as pedagogias e estéticas decoloniais (WALSH, 2013) e sobre as pedagogias feministas (MATOS, 2018, LIMA; NERI; SILVA, 2021, OLIVEIRA et al, 2022). Ao contextualizar esse cenário insurgente dos artivismos feministas do/no Sul Global, o projeto de pesquisa procura contribuir para a literatura especializada sobre os artivismos, dando visibilidade às suas potências artísticas, políticas e pedagógicas, calcadas na experiência da coletividade e em táticas micropolíticas de re-existência.