Essa dissertação aborda o estudo de uma tradição cultural chamada farinhada, que acontece no assentamento de reforma agrária, chamado Planalto do Retiro, localizado no município de Touros, Rio Grande do Norte. Tendo como objetivo compreender os saberes-fazeres culturais do modo artesanal de fazer farinha de mandioca do assentamento, modo esse que nem sempre é entendido como um processo educativo pelas pessoas do local, essa pesquisa se insere no debate acerca de processos educacionais vivenciados no cotidiano das comunidades tradicionais, considerando a cultura popular como modo de vida e de reprodução socioeconômica e cultural dessas comunidades. Nosso percurso teórico- metodológico passa pelo diálogo com os estudos sobre campesinato/agricultura familiar (Wanderley, 2004, Sabourin, 2001, Heredia, 1979; Brandão, 2009), educação e cultura popular (Veiga-Neto, 2003; Souza, 2001; Freire, 1987, 1997, 2000, 2009; Brandão, 1985, 2006, 2007, 2011, 2017), entrelaçados com a discussão de conceitos necessários para perceber, no cotidiano (De Certeau, 2014; Serpa, 2018), como a experiência (Larrosa, 2002, 2013, 2014; Tuan, 1983) embasa a construção de saberes-fazeres (Castriota, 2014; Alves, Ferraço e Soares 2018), o que nos possibilita entender a farinhada enquanto prática cultural coletiva que se sustém por e sustenta uma comunidade educativa (Antunes e Mesquita, 2022). Sendo um estudo de caráter qualitativo e exploratório, nosso caminhar metodológico deve ser permeado por dados construídos a partir de conversas, entrevistas narrativas e observação participante.