PRÁTICAS DE RESISTÊNCIA DE ESTUDANTES DISSIDENTES DO REGIME SEXO-GÊNERO: EXPERIÊNCIAS PARA UMA ESCOLA POSSÍVEL DE SER E ESTAR
Para além das violências experienciadas por estudantes que apresentam gênero e sexualidades dissidentes no Brasil, este estudo buscou perceber as potencialidades de jovens queer ao negociar com a norma sua permanência na escola. Assim, nosso objetivo foi analisar as práticas de resistência produzidas por estudantes do ensino médio de escolas pernambucanas que apresentam gênero e sexualidades dissidentes. Situado numa perspectiva teórica pós-crítica utilizamos nesse trabalho as noções de gênero enquanto performatividade, desenvolvida por Judith Butler (2018) e as noções de sexualidade, poder e resistência, presentes nos estudos de Michel Foucault (1988, 2013). Todas as ideias apresentadas manterão diálogo com a escola. Como metodologia utilizamos a Entrevista Narrativa On-line para a coleta dos dados. As entrevistas aconteceram de maneira virtual com seis estudantes dissidentes do regime sexo-gênero. A partir desse instrumental, as/os jovens narraram sobre a produção de resistências e de enfrentamento ao poder na escola. Por fim, as narrativas foram analisadas através do método de análise de conteúdo desenvolvido por Laurence Bardin (2006), o que nos possibilitou a liberdade de criar nossas próprias categorias de análise, além de buscar sentidos implícitos nas narrativas através de inferências. Por meio dos dados obtidos analisamos que os/as jovens elaboraram estratégia de resistências situadas em três categorias. A primeira delas está localizada na amizade como modo de vida; a segunda parte das intervenções dos/as estudantes no currículo da escola e a terceira diz sobre os diálogos que as/os jovens precisaram manter com a gestão da escola para que suas demandas fossem atendidas. Para além das resistências, as/os estudantes criaram novas maneiras de ser e estar na escola.