O objetivo geral da pesquisa é compreender como os gestores e professores interpretam/traduzem a Política de Educação Integral no contexto de uma Escola Municipal de Jaboatão dos Guararapes. Para tanto, foi usada a abordagem de Stephen J. Ball e colaboradores, sobretudo, o conceito de atuação (Ball, Maguire e Braun, 2016). Trata-se de um estudo de caso, no qual foram entrevistadas 21 pessoas (equipe técnica, equipe gestora e docentes) de uma escola que possui da educação infantil ao ensino fundamental (anos iniciais e finais). Para compreender esse processo foi feita uma retrospectiva da política de educação integral nacional para perceber as influências no contexto atual. Foram identificadas concepções e ainda descontinuidades ao longo do tempo. E, considerando o ciclo de políticas, foram analisados os textos da política desse município, nessa análise foi identificado nos textos da política as influências do Programa Mais Educação e do Programa de Educação de Tempo Integral da Secretaria do Estado de Pernambuco. A política analisada foi criada em 2013, e atualmente, funciona em 13 escolas da rede (que representa 19% do total de escolas dessa rede de ensino). Ao longo desses anos, houve mudanças na matriz curricular e na lei, dentre elas, destaca-se que foi inserido momentos para planejamento e formação coletiva. Nas entrevistas, foram analisadas questões referentes ao contexto situado, material, profissional e externo da escola e como resultado, foi percebido a partir da compreensão das interpretações e traduções dos sujeitos da pesquisa, uma distância entre a proposta de educação integral contida nos textos da política e o que vem sendo feito na prática, principalmente, nas declarações dos docentes entrevistados, pelos quais relatam que não existe momentos coletivos para estudar, repensar, avaliar e refletir sobre a própria prática e sobre a política. Ainda assim, eles compreendem as concepções presentes no texto da política, sobretudo, os conceitos e ações que diferenciam as concepções de aluno em tempo integral e educação integral e ainda reconhecem que na prática, não estão conseguindo garantir plenamente uma atuação pedagógica numa perspectiva de formação na integralidade e sinalizam para a necessidade de formação específica sobre educação integral.