Mulheres negras, trabalho, educação, interseccionalidade.
Apesar de um processo histórico marcado pelo colonialismo e pela exploração do trabalho, as mulheres lavadeiras foram capazes de criar estratégias de sobrevivências, de repassar seus saberes por meio da oralidade, criando assim suas próprias epistemologias. A linguagem é uma das maiores marcas da amefricanização do povo negro, aparecendo também como fator crucial na transmissão dos saberes dessas mulheres. Trata-se de uma profissão quase que estritamente feminina, marcada pelas trouxas na cabeça, caminhadas de sol a sol e muitas gotas de suor que se diluem nos respingos de água. As lavadeiras de roupas compuseram uma força de trabalho tão necessária às nossas vidas pois é a partir do cuidado com nosso próprio corpo, e com o que vestimos que somos lidos pelo mundo. Entretanto, ao longo da história, essas mulheres tiveram seu ofício desvalorizado, à medida em que ele - e outras profissões ligadas ao cuidado - foram fundamentais para o crescimento e modernização da sociedade. Essa pesquisa pretende lançar um olhar crítico e analisar como se deram as experiências educacionais das mulheres lavadeiras de roupas, considerando aspectos como a dinâmica de seus trabalhos e de suas vidas, os processos envolvidos na organização da profissão, condição socioeconômica e de que maneira a educação, seja ela formal ou não formal, impactou as suas vidas.