AVALIAÇÃO DO PERFIL QUÍMICO, POTENCIAL ANTIOXIDANTE, ATIVIDADE ANTIMICROBIANA E EFEITO MODULADOR DE ANTIVIRULÊNCIA DE Schinopsis brasiliensis Engl. (ANACARDIACEAE)
Resistência antimicrobiana; Staphylococcus aureus; mastite estafilocócica; barauna.
A resistência antimicrobiana representa um desafio crescente na saúde animal, especialmente na bovinocultura leiteira, em que a mastite estafilocócica é uma das principais causas de perdas produtivas e descarte de animais. Staphylococcus aureus, frequentemente associado a infecções intramamárias persistentes e a cepas resistentes, dificulta o tratamento convencional e reforça a necessidade de alternativas terapêuticas eficazes e seguras. Nesse cenário, plantas medicinais da Caatinga brasileira têm despertado interesse científico devido à diversidade química e potencial biológico. Schinopsis brasiliensis Engl. (Anacardiaceae), popularmente conhecida como baraúna, é uma espécie amplamente utilizada na medicina tradicional, porém ainda pouco explorada sob o ponto de vista farmacológico e microbiológico. Assim, o presente estudo teve como objetivo avaliar o perfil químico, potencial antioxidante, atividade antimicrobiana, citotóxica e o efeito modulador de fatores de virulência do extrato etanólico e das frações obtidas das folhas de S. brasiliensis, com ênfase no controle de cepas resistentes de S. aureus associadas à mastite bovina. O material vegetal foi submetido à extração com etanol, seguida de fracionamento por solventes de diferentes polaridades. A caracterização química foi realizada por cromatografia gasosa (CG-MS) e líquida (HPLC-DAD-qTOF-MS/MS modo negativo). A atividade antioxidante foi avaliada pelos métodos DPPH e ABTS, enquanto a atividade antimicrobiana foi investigada frente a cepas MRSA padrão e isolados clínicos. Adicionalmente, foi avaliada a modulação da produção do pigmento estafiloxantina como marcador de antivirulência, bem como a citotoxicidade em linhagem celular MAC-T. A análise da fração hexânica por CG-MS permitiu a identificação de 13 compostos apolares, sendo predominantes os esteroides (campesterol, estigmasterol, estigmastanol e β-sitosterol) e os triterpenos (lupeol, α-amirina e β-amirina). Na fração acetato de etila, foram identificados 33 compostos fenólicos, destacando-se derivados de quercetina (isoquercitrina e rutina), taninos hidrolisáveis (pentagaloilglicose e hexagaloilglicose) e o marcador quimiotaxonômico 2,4-di-hidroxi-3-(3,4,5-tridroxibenzoil)oxibenzoato de etila. Os resultados demonstraram que o extrato etanólico e, principalmente, a fração acetato de etila apresentam elevada atividade antiradicalar EC₅₀ de 0,93 ± 0,02 µg/mL no ensaio ABTS e 2,24 ± 0,02 µg/mL para DPPH), relacionada ao alto teor de compostos fenólicos. Observou-se efeito antimicrobiano significativo frente às cepas resistentes de S. aureus, além de redução na produção de estafiloxantina (312 µg/mL, a fração acetato de etila promoveu uma redução de 38%), sugerindo interferência nos mecanismos de virulência bacteriana. Os ensaios de citotoxicidade indicaram baixa toxicidade nas concentrações bioativas (IC₅₀ de 446,8 µg/Ml), reforçando o potencial de segurança das amostras. Dessa forma, os achados apontam S. brasiliensis como uma fonte promissora de compostos naturais com aplicação no desenvolvimento de estratégias terapêuticas alternativas para o controle de infecções bacterianas resistentes.