Banca de DEFESA: MARIA VANESSA DA SILVA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MARIA VANESSA DA SILVA
DATA : 25/02/2026
HORA: 08:00
LOCAL: Sala 205 do Departamento de Biologia
TÍTULO:

INVESTIGAÇÃO DO EFEITO PROTETOR DA MELATONINA SOBRE O PERÍODO DE ORGANOGÊNESE FETAL EM RATAS EXPOSTAS AO CONSUMO CRÔNICO DE ÁLCOOL


PALAVRAS-CHAVES:

Morfogênese; estresse oxidativo; etanol; antioxidante; gravidez


PÁGINAS: 105
RESUMO:

O consumo de álcool durante a gravidez pode causar uma ampla gama de déficits cognitivos, comportamentais e emocionais, além de promover anomalias congênitas. Este xenobiótico pode facilmente atravessar a placenta e chegar ao feto, levando à interrupção das vias metabólicas maternas e prejudicando o desenvolvimento de órgãos vitais, como o cérebro, fígado e rins, ocasionando neurodegeneração, fibrose hepática e redução do número de néfrons, respectivamente. A melatonina tem demonstrado vários benefícios terapêuticos, e estudos apoiam sua eficácia na prevenção de lesões cerebrais, hepáticas e renais. Embora haja evidências significativas sobre os efeitos prejudiciais do consumo de álcool durante a gravidez sobre a saúde fetal, ainda existem lacunas no conhecimento sobre qual período específico da organogênese é mais vulnerável aos efeitos desta substância. Assim, neste trabalho propõe-se avaliar qual período da organogênese do cérebro, fígado e rins da prole de ratas, o consumo de álcool na gestação é mais deletério, e se a melatonina é capaz de prevenir esses efeitos. Para este estudo foram utilizadas 30 ratas albinas com 90 dias de idade, virgens, pesando aproximadamente 250g, da linhagem Wistar, procedentes do Biotério do Departamento de Morfologia e Fisiologia Animal, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Os animais foram distribuídos em seis grupos experimentais: Controle - ratas sem exposição ao álcool e eutanasiadas nos períodos E15 e E19; Álcool - ratas submetidas ao consumo crônico álcool e eutanasiadas nos períodos E15 e E19; Álcool + Melatonina - ratas submetidas ao consumo crônico de álcool e eutanasiadas nos períodos E15 e E19. Todos os grupos foram eutanasiados no 15º e 19º dia de gestação, respectivamente. O álcool foi administrado por gavagem intragástrica, na dose de 3 g/Kg. E a melatonina foi administrada em injeções diárias, na dosagem de 0,8 mg/Kg. Referente ao cérebro, na análise de pesos e comprimentos de E15 e E19, no grupo álcool, verificou-se redução significativa do peso das matrizes, peso e comprimento dos fetos, em comparação com os grupos controle e álcool + melatonina. Em nosso estudo foi encontrado desorganização estrutural do mesênquima cerebral que podem ser apontadas através de alterações da estimativa da densidade externa, limítrofe e interna do neuroepitélio e a partir do volume diminuído do telencéfalo no grupo álcool em E15 e E19. Também observamos diminuição na espessura do neuroepitélio, no E15 persistindo no E19, no grupo álcool, em comparação aos demais grupos. Além disso, em E15 verificou-se a estrutura incorreta da camada molecular do telencéfalo, e em E19 menor desenvolvimento dos ventrículos do telencéfalo no grupo álcool em comparação aos demais grupos. Nossos achados apontam aumento dos níveis de citocinas pró-inflamatórias, tanto IL-6 como TNFα em E15 até o tempo E19 no grupo álcool quando comparado aos outros grupos. Também foi observado aumento no grupo álcool, da marcação das células do apoptóticas em E15 e E19, em comparação aos demais grupos experimentais. Para a marcação de PCNA foi observado que o grupo álcool obteve menor proliferação celular em E15 e E19, comparado aos distintos grupos. Referente aos resultados de fígado, os fetos dos grupos controle e álcool + melatonina, no período E15, apresentaram lóbulos hepáticos bastante volumosos com veias centro lobulares, sinusóides, hepatoblastos, células hematopoiéticas e alguns hepatócitos. Já os fígados de E15 do grupo álcool mostraram lóbulos hepáticos menos desenvolvidos em relação aos demais grupos, com veias centro lobulares circundadas apenas por hepatoblastos. Já o período E19 revelou que nos grupos controle e álcool + melatonina ainda a coexistência de hepatoblastos e de hepatócitos. Já no grupo álcool, foram evidenciadas características histológicas similares às encontradas no fígado dos fetos dos grupos controle e álcool + melatonina no período E15. A análise imunohistoquímica, nos dois períodos do fígado, revelou ensaios similares do grupo controle e álcool + melatonina com forte marcação para IL6 e TNFα. E ainda, registrou-se forte proliferação celular e redução do índice apoptótico no fígado dos fetos, quando comparado ao grupo álcool. Quanto aos rim, os resultados indicaram que no período E15, o grupo controle e álcool + melatonina mostraram a presença de glomérulos em desenvolvimento, vesículas elipsoides próximas à superfície, com células epiteliais indiferenciadas circundadas pelo tecido mesenquimal. E no grupo álcool verificou-se a ramificação no tecido mesenquimal para formação dos glomérulos renais. Já no período E19 apresentaram às regiões cortical e medular bem definidas. Nos fetos dos grupos controle e álcool + melatonina verificou-se o início da formação dos glomérulos renais primitivos e os primeiros corpúsculos renais. No grupo álcool os rins apresentaram vesículas elipsoides próximas à superfície renal sugerindo os primórdios glomerulares. A análise imunohistoquímica, nos dois períodos do fígado, revelou ensaios similares do grupo controle e álcool + melatonina com forte marcação para IL6 e TNFα. Enquanto, o rim teve fraca marcação nesses mesmos parâmetros. E ainda, registrou-se forte proliferação celular e redução do índice apoptótico no fígado e rins dos fetos, quando comparado ao grupo álcool. Com isto, conclui-se que a melatonina se apresenta como uma molécula de alto potencial protetor sobre a neurogênese, nefrogênese e hepatogênese, regulando a expressão das citocinas pró-inflamatórias IL-6 e TNF-α, a apotose e PCNA, contra as alterações ocasionadas pelo consumo crônico de álcool durante a organogênese fetal.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - VALERIA WANDERLEY TEIXEIRA
Externo ao Programa - 1342787 - ANDERSON RODRIGUES BALBINO DE LIMA - UFRPEExterna à Instituição - FERNANDA DAS CHAGAS ÂNGELO MENDES TENÓRIO - UFPE
Externa à Instituição - ISMAELA MARIA FERREIRA DE MELO
Externo à Instituição - JAIURTE GOMES MARTINS DA SILVA - UFAL
Notícia cadastrada em: 02/02/2026 09:26
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