Mormo em equídeos: caracterização genotípica, análise de virulência, resistência antimicrobiana de Burkholderia mallei e avaliação de uma plataforma vacinal com tecnologia de vesículas extracelulares.
Genotipagem; Imunógeno; Zoonose; Equídeos.
O mormo é uma zoonose de notificação obrigatória causada pela bactéria Burkholderia mallei, que acomete principalmente equídeos e representa um desafio sanitário e econômico, além de risco à saúde pública. Considerando a ausência de vacinas eficazes e a complexidade diagnóstica da enfermidade, este estudo teve como objetivo realizar a caracterização genotípica de duas cepas de B. mallei (BmBr01 e BmBr02) isoladas de equinos com diagnóstico confirmado, analisando a variabilidade genética, os fatores de virulência e os mecanismos de resistência antimicrobiana, bem como recuperar e caracterizar Vesículas Extracelulares (VEs) produzidas por diferentes isolados e avaliar suas propriedades imunogênicas. O sequenciamento genômico revelou alta identidade em relação à cepa B. mallei Turkey2, com valores de Average Nucleotide Identity (ANI) de 99,9018% e 99,9072% para BmBr01 e BmBr02, respectivamente. Foram identificados genes associados à virulência, especialmente aqueles relacionados à motilidade por pili tipo IV e aos sistemas de secreção tipo III (T3SS) e tipo VI (T6SS), sendo que BmBr01 apresentou um repertório mais amplo desses sistemas. Ambas as cepas exibiram perfis gênicos idênticos para biossíntese de lipopolissacarídeo (LPS) e resistência antimicrobiana, incluindo vanR, vanH, penA, dfrA3, aac(6’)-Iak e tetA(48), enquanto BmBr01 demonstrou maior diversidade de genes relacionados a bombas de efluxo e regulação da resistência, como mexT, oprM, mdtE, mdtK, sdiA e ompR. Esses achados indicam que BmBr01 possui maior plasticidade adaptativa, o que pode conferir vantagem seletiva sob pressão antimicrobiana. As VEs isoladas das cepas BmBr01, BmBr02 e BAC/8619 apresentaram tamanhos predominantes entre 100 e 200 nm e, quando utilizadas para estímulo de macrófagos derivados de monócitos humanos (THP-1), promoveram aumento significativo na produção de IL-6. Em culturas de células mononucleares do sangue periférico humano, a exposição às VEs resultou em maior atividade mitocondrial e elevação de TNF e IFN-γ, sugerindo uma resposta imune do tipo Th1. Conclui-se que as cepas brasileiras de B. mallei avaliadas apresentam diversidade genômica relevante e repertório gênico associado à virulência e resistência antimicrobiana, enquanto suas vesículas extracelulares demonstram potencial imunogênico in vitro, configurando uma estratégia promissora para o desenvolvimento de vacinas contra o mormo.