CAUSA MORTE DE TARTARUGAS MARINHAS ENCALHADAS NO LITORAL DE PERNAMBUCO
tartarugas marinhas, doenças, patologia
As tartarugas marinhas, componentes ancestrais dos ecossistemas marinhos, enfrentam declínio populacional significativo devido a fatores antropogênicos como pesca incidental, poluição e degradação de habitats. No Brasil, ocorrem cinco das sete espécies globais, todas ameaçadas de extinção. Este estudo retrospectivo, baseado em 34 necropsias de tartarugas marinhas encalhadas no litoral de Pernambuco entre outubro de 2020 e fevereiro de 2024, objetivou identificar as causas de mortalidade e subsidiar ações de conservação. A pesquisa, realizada no Laboratório de Diagnóstico Animal (LDA) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), mostrou que Chelonia mydas (tartaruga-verde) foi a espécie mais afetada (58,82% dos encalhes em Porto de Galinhas), seguida por Caretta caretta (tartaruga-cabeçuda) com 11,76%. A maioria dos encalhes (76,47%) ocorreu em Porto de Galinhas, Ipojuca-PE, uma área de intensa atividade turística e pesqueira. Houve predominância de fêmeas (61,76%) e indivíduos adultos (73,53%) entre os casos, um achado preocupante para a conservação, visto o impacto da perda de adultos na recuperação populacional. As principais causas de mortalidade incluíram complicações pulmonares (18,60%), renais (13,95%) e gástricas (13,95%). A ruptura intestinal por corpo estranho/lixo foi diagnosticada em 9,30% dos casos, confirmando o lixo marinho como causa direta de morte. Patologias como pneumonia granulomatosa por parasitas (Spirorchiidae) e enterite parasitária também foram significativas. O estudo reforça a necessidade urgente de gestão de resíduos, práticas de pesca sustentáveis e monitoramento da saúde das tartarugas para a conservação dessas espécies ameaçadas no litoral pernambucano.