Investigação de polimorfismos em genes supressores tumorais e de reparo do DNA em paciente com lesão cervical e câncer
O câncer cervical é um dos principais desafios de saúde pública, sendo o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo. No Brasil, ocupa a terceira posição entre os mais incidentes e representa a quarta principal causa de óbito por neoplasias femininas. Embora a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) seja o principal fator etiológico da doença, a literatura revela que a interação entre fatores genéticos e ambientais pode influenciar significativamente a progressão da Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) para o câncer. Dentre os aspectos genéticos envolvidos, destacam-se polimorfismos funcionais em genes atuantes no reparo de DNA e no ciclo celular, como o gene X-ray Repair Cross Complementing 1 - XRCC1 (rs25487), Tumor Protein p53 - TP53 (rs1042522), Cyclin-Dependent Kinase Inhibitor 1A (ou p21, Cip1 - Cyclin-Dependent Kinase Interacting Protein 1A) - P21 (rs1801270) e Cyclin-Dependent Kinase Inhibitor 1B (ou p27Kip1 - Cyclin-Dependent Kinase Inhibitor 1B) - P27 (rs2066827). No entanto, o impacto dessas variações genéticas na predisposição a NIC e ao câncer cervical ainda não está completamente esclarecido e pode apresentar diferenças entre populações. Diante do exposto, o objetivo da presente pesquisa foi investigar a possível associação entre polimorfismos nesses genes e o desenvolvimento de neoplasia intraepitelial cervical (NIC) e do câncer do colo do útero em mulheres do estado de Pernambuco. Foi realizado um estudo analítico observacional do tipo caso-controle, consistindo em 581 mulheres do município de Recife, Pernambuco. Dessas, o grupo experimental foi composto por 282 mulheres com diagnóstico de lesão cervical ou câncer, enquanto o grupo controle foi formado por 299 mulheres saudáveis, sem histórico de lesão cervical ou câncer. As amostras utilizadas foram de tecido parafinado do colo uterino para o grupo com lesão cervical/câncer e de secreção vaginal para o grupo controle saudável. Todas as coletas foram realizadas no Laboratório Municipal de Saúde Pública da Secretaria de Saúde do Recife (LMSP/SS - Recife-PE). Dois polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) foram analisados por meio da técnica de amplificação por PCR de amplificação seletiva de incompatibilidade (MAMA-PCR): o polimorfismo Gln399Arg (A/G) no gene de reparo do DNA XRCC1 (X-ray repair cross-complementing protein 1, rs25487) e o polimorfismo Arg72Pro (G/C) no gene TP53 (tumor protein p53, rs1042522). Os resultados mostraram que o polimorfismo no gene XRCC1 apresentou diferença significativa entre os grupos com lesão cervical/câncer e o controle saudável (p < 0,001). A distribuição da frequência genotípica para o gene XRCC1 (rs25487) no grupo de estudo foi: 28,17% GG, 35,46% AA e 36,17% GA. No grupo controle saudável, as frequências foram: 60,20% GG, 20,07% AA e 19,73% GA. Indivíduos portadores dos genótipos mutantes XRCC1-GA e XRCC1-AA apresentaram um risco aumentado de desenvolver lesão cervical/câncer em comparação com aqueles com o genótipo GG (p<0,05). Em relação ao polimorfismo no gene TP53, a distribuição das frequências genotípicas no grupo de estudo foi: 39,01% GG, 28,37% GC e 32,62% CC. No grupo controle, as frequências foram: 23,75% GG, 19,40% GC e 56,86% CC, diferença que também se mostrou significativa (p < 0,01). Indivíduos portadores do genótipo heterozigoto mutante TP53-CG apresentaram um maior de desenvolver lesão cervical/câncer em comparação com aqueles com o genótipo selvagem, TP53-GG. Os resultados mostraram associação entre polimorfismos nos genes XRCC1 e TP53 com o desenvolvimento do câncer cervical na população estudada, sugerindo-os como possíveis biomarcadores da doença.
Câncer Cervical, Papilomavírus Humano (HPV), Polimorfismos Genéticos, Genes Supressores Tumorais, Genes de Reparo do DNA.
O câncer cervical é um dos principais desafios de saúde pública, sendo o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo. No Brasil, ocupa a terceira posição entre os mais incidentes e representa a quarta principal causa de óbito por neoplasias femininas. Embora a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) seja o principal fator etiológico da doença, a literatura revela que a interação entre fatores genéticos e ambientais pode influenciar significativamente a progressão da Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) para o câncer. Dentre os aspectos genéticos envolvidos, destacam-se polimorfismos funcionais em genes atuantes no reparo de DNA e no ciclo celular, como o gene X-ray Repair Cross Complementing 1 - XRCC1 (rs25487), Tumor Protein p53 - TP53 (rs1042522), Cyclin-Dependent Kinase Inhibitor 1A (ou p21, Cip1 - Cyclin-Dependent Kinase Interacting Protein 1A) - P21 (rs1801270) e Cyclin-Dependent Kinase Inhibitor 1B (ou p27Kip1 - Cyclin-Dependent Kinase Inhibitor 1B) - P27 (rs2066827). No entanto, o impacto dessas variações genéticas na predisposição a NIC e ao câncer cervical ainda não está completamente esclarecido e pode apresentar diferenças entre populações. Diante do exposto, o objetivo da presente pesquisa foi investigar a possível associação entre polimorfismos nesses genes e o desenvolvimento de neoplasia intraepitelial cervical (NIC) e do câncer do colo do útero em mulheres do estado de Pernambuco. Foi realizado um estudo analítico observacional do tipo caso-controle, consistindo em 581 mulheres do município de Recife, Pernambuco. Dessas, o grupo experimental foi composto por 282 mulheres com diagnóstico de lesão cervical ou câncer, enquanto o grupo controle foi formado por 299 mulheres saudáveis, sem histórico de lesão cervical ou câncer. As amostras utilizadas foram de tecido parafinado do colo uterino para o grupo com lesão cervical/câncer e de secreção vaginal para o grupo controle saudável. Todas as coletas foram realizadas no Laboratório Municipal de Saúde Pública da Secretaria de Saúde do Recife (LMSP/SS - Recife-PE). Dois polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) foram analisados por meio da técnica de amplificação por PCR de amplificação seletiva de incompatibilidade (MAMA-PCR): o polimorfismo Gln399Arg (A/G) no gene de reparo do DNA XRCC1 (X-ray repair cross-complementing protein 1, rs25487) e o polimorfismo Arg72Pro (G/C) no gene TP53 (tumor protein p53, rs1042522). Os resultados mostraram que o polimorfismo no gene XRCC1 apresentou diferença significativa entre os grupos com lesão cervical/câncer e o controle saudável (p < 0,001). A distribuição da frequência genotípica para o gene XRCC1 (rs25487) no grupo de estudo foi: 28,17% GG, 35,46% AA e 36,17% GA. No grupo controle saudável, as frequências foram: 60,20% GG, 20,07% AA e 19,73% GA. Indivíduos portadores dos genótipos mutantes XRCC1-GA e XRCC1-AA apresentaram um risco aumentado de desenvolver lesão cervical/câncer em comparação com aqueles com o genótipo GG (p<0,05). Em relação ao polimorfismo no gene TP53, a distribuição das frequências genotípicas no grupo de estudo foi: 39,01% GG, 28,37% GC e 32,62% CC. No grupo controle, as frequências foram: 23,75% GG, 19,40% GC e 56,86% CC, diferença que também se mostrou significativa (p < 0,01). Indivíduos portadores do genótipo heterozigoto mutante TP53-CG apresentaram um maior de desenvolver lesão cervical/câncer em comparação com aqueles com o genótipo selvagem, TP53-GG. Os resultados mostraram associação entre polimorfismos nos genes XRCC1 e TP53 com o desenvolvimento do câncer cervical na população estudada, sugerindo-os como possíveis biomarcadores da doença.