Caracterização fenotípica e molecular de Escherichia coli isoladas de papagaios (Amazona sp.) de procedência ilegal em Pernambuco
Beta-lactamase de Espectro Estendido; Escherichia coli Diarreiogênica; Zoonose; Psitacídeos; Centro de Triagem e Reabilitação de Animais silvestres.
Vítimas de ações antrópicas no ambiente, os animais selvagens resgatados de práticas ilegais são comumente encaminhados para os Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS) ou zoológicos. A investigação de características de resistência e virulência cresce em relevância nestas instituições em todas as pesquisas envolvendo microrganismos de importância epidemiológica, especialmente quando o impacto recai sobre a Uma Só Saúde. O objetivo desta dissertação foi caracterização da produção de biofilme, de β-lactamases de Espectro Estendido (ESBL) e de virulência (Escherichia coli Diarreiogência – DEC) em isolados de Escherichia coli da microbiota intestinal de aves do gênero Amazona sp. procedentes do Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS Tangara), Recife, Pernambuco. Foram recuperados 28 isolados de E. coli, as quais foram submetidas a ensaio de produção de biofilme, teste de sinergismo por disco duplo (TSDD) modificado e a diagnóstico molecular por PCR para genes de ESBL blaTEM-1, blaSHV-1 e CTX-M825 e genes de virulência DEC das classes Enteropatogênicas (EPEC), Enterohemorrágicas (EHEC) e Produtoras de Toxina de Shiga (STEC), stx1, stx2, eaeA e HlyA. O sinal clínico de diarreia foi observado exclusivamente em aves residentes (43,8%, 28/64). Nos testes fenotípicos, 100% (28/28) dos isolados produziram biofilme e 32,1% (9/28) foram positivos no TSDD para produção de ESBL. Nos testes genotípicos, 13% (4/28) foram positivos para genes blaTEM-1 para produção de ESBL. Foi detectado o gene stx2 em 13% (4/28) dos isolados, confirmando a presença de DEC tipo STEC nas aves investigadas. Os demais genes não foram detectados. Cinco isolados foram positivos para dois ou mais testes fenotípicos e genotípicos e três destes possuem genótipos para ESBL e STEC. Conclui-se que Amazona aestiva e A. amazonica podem ser utilizadas como bioindicadores de qualidade ambiental para E. coli produtoras de biofilme, de β lactamases de Espectro Estendido (ESBL) e de virulência (DEC) em Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres.