EFEITOS DO TRATAMENTO COM L-CARNITINA EM RATOS COM NEUROPATIA DIABÉTICA AUTONÔMICA CARDIOVASCULAR SUBMETIDOS OU NÃO AO EXERCÍCIO FÍSICO: UMA ANÁLISE HISTOLÓGICA, BIOQUÍMICA E IMUNOHISTOQUÍMICA
Ácido Alfa Lipóico; Atividade Física; Bioquímica; Histomorfologia; Insulina; L-carnitina; Neuropatia Cardíaca
A neuropatia diabética é a complicação mais comum do diabetes. Uma de suas formas clínicas mais comuns é a neuropatia autonômica, que lesiona as inervações de alguns sistemas como o cardiovascular. A Neuropatia Diabética Autonômica Cardiovascular (NDAC) possui uma alta taxa de mortalidade. Dentre seus sintomas há a hipotensão postural, arritmia cardíaca entre outros. O seu tratamento apoia-se na atenuação dos sintomas, não possuindo um padrão para tratamento da doença. No Brasil, a recomendação é o ácido alfa lipóico, além do exercício físico que já é utilizado para tratamento do diabetes. Um tratamento alternativo é com a L-carnitina, porém não há relatos sobre os efeitos dessas substâncias na NDAC. Sendo assim, o objetivo do projeto foi comparar a eficácia das substâncias L-carnitina e ácido alfa lipóico no tratamento da NDAC nos grupos experimentais submetidos ao exercício físico. Foram utilizados 40 ratos machos da linhagem Wistar com 90 dias de idade. Estes foram divididos em 8 grupos experimentais: sedentários não diabéticos (RS), treinados não diabéticos (RTC), treinados diabéticos (RTD), treinados diabéticos com insulina (RTDI), treinados diabéticos com L-carnitina (RTDLC), treinados diabéticos com Ácido Alfa Lipóico e insulina (RTDAI), treinados diabéticos com L-carnitina e insulina (RTDLCI) e treinados diabéticos com Ácido Alfa Lipóico, L-carnitina e insulina (RTDALCI). Após indução da diabetes com uma solução de estreptozotocina, foram considerados com neuropatia diabética após testes para hiperalgesia durante as 6 semanas seguintes. Em seguida, adaptados e submetidos a um protocolo de natação 5 dias/semana por 4 semanas. O tratamento com as substâncias Ácido Alfa Lipóico (100g/kg) e L-carnitina (100g/kg) foi realizado por gavagem. Enquanto, a insulina (4 U/dia) foi administrada por via subcutânea. Sendo administrados 7 dias/semana. As análises realizadas foram de pressão arterial sistólica (PAS), avaliação antropométrica, índice orgonossomático, histopatologia, morfometria, imunohistoquímica, marcadores de lesão cardíaca e estresse oxidativo. Os animais induzidos ao diabetes apresentaram valores de PAS inicial maiores que os animais dos grupos RS e RTC. Enquanto, na PAS final os animais diabéticos tratados com insulina, L-carnitina e o ácido alfa lipóico, associados ou não, obtiveram valores similares aos animais dos grupos RS e RTC. Na avaliação antropométrica os animais induzidos ao diabetes perderam peso corporal. Porém, ao final do tratamento apenas os animais do grupo RTD apresentaram diferenças significativas em relação aos demais grupos, que com a redução do peso corpóreo, levou consequentemente a um maior índice organossomático. Na análise dos IL6 e TNFα, revelaram comportamento similares onde os tratamentos reduziram a expressão dessas citocinas pró-inflamatórias, sendo o melhor resultado verificado nos animais dos grupos RTDLCI e RTDALCI. Enquanto os marcadores de lesão cardiaca a CK total, CK-MB, o índice relativo de CK-MB e a LDH dos animais dos grupos tratados com insulina, L-carnitina e o ácido alfa lipóico, associados ou não, não foram diferentes estatisticamente dos grupos RS e RTC. Enquanto, na cTnI apenas o grupo RTD foi reagente. Em conclusão, a L-carnitina associada ou não ao ácido alfa lipóico e/ou a insulina obtiveram resultados positivos em todas as análises. Salientando que a L-carnitina/insulina pareceu potencializar a expressão do GSH. Enquanto o tratamento com o exercício físico não obteve resultados positivos em ratos diabéticos. Assim, é interessante salientar que devem existir mais pesquisas que abordem essa temática da interação antioxidante-medicamento, o que pode fornecer informações que auxiliem na terapia da neuropatia diabética cardiovascular.