ANÁLISE DO POTENCIAL DE BIORREMEDIAÇÃO DO IMIDACLOPRIDO POR MICRORGANISMOS FOTOSSINTETIZANTES E SEUS EFEITOS NA PRODUÇÃO DE PIGMENTOS
Microalga; Pesticidas; Bioativos; Ficorremediação
A cultura de manga no Vale do São Francisco enfrenta prejuízos devido ao ataque de pragas, levando ao uso extensivo de defensivos como o Imidacloprido, o qual possui alta solubilidade e estabilidade em água, o que contribui para sua persistência ambiental, além de ser tóxico para organismos não-alvo, evidenciando a necessidade de sua remoção de ambientes aquáticos. Microalgas, devido a suas capacidades metabólicas e fisiológicas, emergem como ferramentas promissoras para a biorremediação de pesticidas. Este estudo objetivou avaliar o potencial de Tetradesmus obliquus, Arthrospira platensis e Dunaliella tertiolecta na biorremediação do Imidacloprido, bem como os teores de pigmentos na biomassa microalgal. As microalgas foram cultivadas em frascos de Erlenmeyer contendo meio de cultura padrão, a concentração inicial do inseticida foi de 0,2 mg/L e a de microrganismos de 100 mg/L. Os experimentos foram conduzidos em dois tratamentos: (1) meio de cultura e microrganismos; (2) meio de cultura, microrganismos e Imidacloprido, para avaliar o efeito do pesticida no crescimento das microalgas. A concentração celular foi determinada diariamente ao longo dos cultivos. A análise da concentração celular máxima (Xm) indicou que o Imidacloprido estimulou o crescimento em todas as microalgas. T. obliquus apresentou o maior Xm (837,97 mg/L no grupo tratado e 733,55 mg/L no controle), seguido por D. tertiolecta (811,55 mg/L tratado e 682,48 mg/L controle) e A. platensis (577,80 mg/L tratado e 472,26 mg/L controle). A taxa de crescimento específica máxima (μMAX) demonstrou que o pesticida não interferiu na velocidade de duplicação da D. tertiolecta (0,17 dia⁻¹), enquanto T. obliquus e A. platensis apresentaram reduções de 0,15 para 0,13 dia⁻¹ e de 0,12 para 0,10 dia⁻¹ no grupo tratado e controle, respectivamente. Quanto à produtividade, D. tertiolecta demonstrou um aumento mais significativo (58,86 mg L⁻¹ dia⁻¹ no grupo tratado contra 52,59 mg L⁻¹ dia⁻¹ no controle), que pode ser atribuída à maior capacidade dessa microalga utilizar o imidacloprido como fonte de carbono. T. obliquus manteve produtividade semelhante entre os grupos (48,77 mg L⁻¹ dia⁻¹ tratado e 48,67 mg L⁻¹ dia⁻¹ controle), enquanto A. platensis não apresentou diferença significativa (29,23 mg L⁻¹ dia⁻¹ tratado contra 30,60 mg L⁻¹ dia⁻¹ controle). Os resultados destacam o potencial de T. obliquus e D. tertiolecta na biorremediação do Imidacloprido, com adaptações metabólicas que favorecem crescimento e produtividade. Em contrapartida, A. platensis demonstrou maior sensibilidade. Assim, T. obliquus e D. tertiolecta emergem como candidatas promissoras para aplicações de biorremediação. Estudos futuros devem explorar as rotas metabólicas de degradação, os produtos resultantes e a interferência do pesticida no aparato fotossintético.