Perfil de resistência fenotípico e molecular de Staphylococcus aureus e Escherichia coli isolados de queijo coalho artesanal comercializados próximo às unidades básicas de saúde do Recife
genes de resistência, enterotoxinas, mecA, MRSA, cefoxitina, unidades básicas de saúde
Staphylococcus aureus e Escherichia coli, são microrganismos oportunistas que desempenham papel importante na disseminação da resistência aos antimicrobianos entre seres humanos, animais, ambiente e em alimentos, sendo considerado um importante problema de saúde pública. Um alimento culturalmente importante para a região nordeste, e que vem ganhando espaço no resto do Brasil é o queijo coalho artesanal. Contudo, por ser produzido com leite cru e sofrer bastante manipulação em sua produção e comercialização este produto possui maior possibilidade de sofrer contaminação por estes microrganismos. Assim, o objetivo deste trabalho foi caracterizar fenotipicamente e genotipicamente cepas de S. aureus e E. coli isoladas a partir de amostras de queijo coalho artesanal comercializadas em estabelecimentos localizados próximos a unidades básicas de saúde distribuídas nos oito distritos sanitários da cidade de Recife - PE. Foram coletadas 129 amostras onde foi realizado isolamento de cepas suspeitas de S. aureus e E. coli. A identificação desses isolados foi realizada por testes bioquímicos e reação em cadeia da polimerase, técnica de 16S rRNA e Spatyping. Em seguida, foram realizados teste resistência antimicrobiana fenotípica por meio dos testes de disco difusão e concentração mínima inibitória, e por fim sequenciamento do genoma completo destes isolados foi realizado por meio de técnica de sequenciamento. Foram isoladas 73 cepas de S. aureus e sete de E. coli. Nos isolados de S. aureus foram detectados os Spatypes t11521 (23,91%), t701 (17,39%) e t359 (6,52%); os genes de enterotoxinas sei, seq, sem, seo, seu, sen, sek, e seg, representando 2,17% dos isolados, respectivamente, e seh (8,69%). Os genes de virulência hlgA (100%), hlgB (100%), hlgC (100%), lukD (97,82%), lukE (97,82%), lukF-PV e lukS-PV (4,34%) ambos, e o gene tst (2,17%). Quanto à resistência fenotípica, 100% dos isolados de S. aureus foram resistentes a pelo menos um antibiótico, 90.41% foram resistentes à cefotaxima, 100% a penicilina G, 64.38% a eritromicina, 73.97% a clindamycin 73.97%, 68.49% a tetracycline e 5.47% a cefoxitina, sendo estes considerados isolados S. aureus resistente à meticilina. Já os genes de resistência mais frequentes nos isolados de S. aureus destacam-se os genes blaZ (53.57%) e tet(38) (80,35%). O gene mecA foi detectado em 4,44% e o gene msrA em 4,44% dos isolados. Ainda, foram isoladas sete cepas de E. coli, considerados não patogênicos, as quais foram detectados os genes de virulência csgA (100%), fdeC (66,66%), fimH (66,66%), gad (66,66%), hlyE (100%), iss (100%), lpfA (33,33%), terC (100%), sitA (66,66%), yehA (66,66%), yehB (66,66%), YehC (100%) e yehD (100%). Ainda, 100% destes isolados foram resistentes a pelo menos um agente antimicrobiano, sendo observada com maior frequência a resistência à gentamicina (57,14%) e ciprofloxacina 85,81%. O gene de resistência blaEC foi o único detectado nestes isolados. Conclui-se que a presença destas cepas resistentes detectadas em queijo coalho comercializado em Recife, representam um risco à saúde, porque podem representar mais um ambiente de disseminação de resistência aos antibióticos.