Banca de QUALIFICAÇÃO: ALEXSANDRA FRAZÃO DE ANDRADE

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ALEXSANDRA FRAZÃO DE ANDRADE
DATA : 27/03/2024
HORA: 09:00
LOCAL: https://meet.google.com/qzj-krnj-fbv
TÍTULO:

AVALIAÇÃO DE BIOATIVOS DA MICROALGA Chlorella vulgaris PARA CICATRIZAÇÃO DE LESÕES DECORRENTES DE LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA


PALAVRAS-CHAVES:

microalga, leishmania tegumentar, lectina


PÁGINAS: 45
RESUMO:

A leishmaniose é uma doença tropical negligenciada causada por parasitos do gênero
Leishmania. Esta doença se manifesta de duas formas principais: leishmaniose visceral
(LV) e tegumentar (LT). As diferentes sub-formas clínicas de LT estão associadas às
diferentes espécies de Leishmania, bem como aos fatores genéticos, nutricionais e/ou
imunológicos do hospedeiro. A resposta imune tem um importante papel na defesa, uma
vez que a resposta Th1 exacerbada acarreta em danos teciduais e na persistência da
lesão. As estratégias terapêuticas utilizadas têm apresentado baixa eficácia, alta
toxicidade, efeitos adversos, ausência de imunomodulação, resistência do parasito e
dificuldade de administração da droga. Alternativas terapêuticas utilizando produtos
naturais podem otimizar o regime terapêutico, em que microalgas têm demonstrado
resultados potenciais, o que pode ser explicado pela diversidade de metabólitos como
carboidratos, terpenos e proteínas, incluindo lectinas. Com isso, o objetivo deste
trabalho foi avaliar o potencial dos bioativos da microalga C. vulgaris como adjuvante à
terapia atual para Leishmaniose Tegumentar Americana. C. vulgaris (UTEX 1803) foi
cultivada em meio Bold Basal suplementado com 1% de milhocina, concentrada,
ressuspensa em Tris-HCl-NaCl 0,15 M, pH 7,5 a 50 mg/mL, sonicada usando dez
pulsos de 1 min com um intervalo de 1 min. A fração líquida obtida foi denominada
extrato celular (EC). As proteínas presentes no EC foram precipitadas pela adição de 0-
60% de sulfato de amônio e purificadas por cromatografia de troca aniônica. A
especificidade da lectina (CVU) a carboidratos foi determinada pela capacidade de
reduzir a atividade hemaglutinante (AH) com 10 mM de D-frutose, D-galactose, D-
glicose, D-glucosamina, D-rafinose e L-arabinose. Os efeitos da variação de
temperatura sobre a proteína foram verificados em 40 a 70°C por 30, 60 e 90 minutos e
em relação ao pH na faixa de 7-12, enquanto o efeito dos íons na proteína foi
determinado com 10 mM de MgSO 4 , Na 2 S 2 O e CaCl 2 . EC (39,06 a 1250 µg/ mL), CVU
(4,68 a 150 µg/mL) e Glucantime® (7,8 a 250 µg/mL) foram avaliados quanto ao seu
potencial inibitório (IC 50 ) em células promastigotas de L. braziliensis (cepa
MHOM/BR/1975/M2903) a uma concentração de 3.10 6 durante 48 horas e a análise
ultraestrutural dos parasitos tratados foi avaliada por microscopia eletrônica de
varredura (MEV). A citotoxicidade (CC 50 ) de EC (140 a 2250 µg/mL), de CVU (4,68 a
150 µg/mL) e de Glucantime® (25 a 400 µg/mL) foi verificada em células
mononucleares de sangue periférico (PBMC) a uma concentração de 1.10 6 por 24 horas,
bem como em células de macrófagos (J774.A1) com EC (14,06 a 450 µg/mL), CVU
(4,5 a 72 µg/mL) e Glucantime® (25 a 400 µg/mL) a uma concentração de 1.10 5 por
24h. Os índices de seletividade (IS) do EC, de CVU e de Glucantime® foram
calculados a partir da relação CC 50 (concentração citotóxica a 50% em PBMC e
macrófagos) pela IC 50 contra as formas promastigotas de L. braziliensis. CVU
apresentou afinidade pelos carboidratos testados, exceto glicose e rafinose, a partir
desses resultados foi possível compreender a especificidade do domínio da proteína e a
interação desta com a membrana do parasito Leishmania. CVU perdeu atividade na
temperatura de 60°C e pH acima de 8, mostrando que CVU pode ser mais eficiente em
temperaturas abaixo de 60°C e pH neutro. A atividade de CVU foi reduzida pelos íons

Mg 2+ , Ca 2+ e Na + , o que demonstra que a proteína possui maior interação com esses íons.
EC foi utilizado em células promastigotas de L. braziliensis, em que apresentou
percentual de inibição de 48,52% a 156,25 µg/mL e 68,86% a 312,5 µg/mL, obtendo
valor de IC 50 de 161,4 µg/mL. CVU apresentou valor de IC 50 de 66,32 µg/mL, que pode
ser atribuída a presença de resíduos de galactose, carboidrato pelo qual CVU
demonstrou afinidade. A droga de referência utilizada (Glucantime®) inibiu o
crescimento de promastigotas com valor de IC 50 de 129,18 µg/mL. A análise com MEV
demonstrou que as células promastigotas não tratadas apresentaram a presença de corpo
celular alongado e fusiforme, enquanto as células tratadas com EC e CVU passaram a
apresentar morfologia arredondada, redução de flagelos e encolhimento celular. Essas
alterações podem causar a redução na mobilidade do parasito e impactar na sua
sobrevivência. A CC 50 em PBMC do EC foi de 1210 µg/mL, de CVU 116,9 µg/mL,
enquanto a de Glucantime® foi >400 µg/mL. EC, CVU e Glucantime® exibiram IS
para PBMC de 7,49, 1,76 e >3, respectivamente. A CC 50 em macrófagos do EC foi de
220,98 µg/mL, CVU 35,73 µg/mL, enquanto a do Glucantime® foi >400 µg/mL. EC,
CVU e Glucantime® exibiram IS para macrófagos de 1,01, 1,15 e >3, respectivamente.
O extrato celular apresentou maior índice de seletividade quando comparado a droga de
referência, a mistura complexa de moléculas do extrato celular da microalga C. vulgaris
podem agir sinergicamente para desempenhar a atividade anti-Leishmania. A microalga
C. vulgaris apresenta potencial para ser explorada como candidata a novos fármacos
anti-Leishmania, o que abre possibilidades de pesquisa com produtos naturais para o
tratamento de doenças negligenciadas.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - RAQUEL PEDROSA BEZERRA
Interna - ANA LUCIA FIGUEIREDO PORTO
Externo à Instituição - CARLOS YURE BARBOSA DE OLIVEIRA - UFSC
Externa à Instituição - VALÉRIA PEREIRA HERNANDES - Fiocruz - PE
Notícia cadastrada em: 04/03/2024 13:06
SIGAA | Secretaria de Tecnologias Digitais (STD) - https://servicosdigitais.ufrpe.br/help | Copyright © 2006-2026 - UFRN - producao-jboss10.producao-jboss10