Microbiota cloacal de Chelonoidis carbonaria (Sauropsida, Testudine) associado à presença humana em duas áreas do Nordeste do Brasil
Chelonoidis, leveduras, micobiota.
A criação de jabutis tem se popularizado nos últimos anos. Essa aproximação dos seres humanos com esses animais traz consigo algumas implicações, pois esses animais podem disseminar agentes patogênicos no ambiente residencial. Esse trabalho tem por objetivo verificar a micobiota leveduriforme de Chelonoidis carbonaria em condição de PET não-convencional, avaliando a relação da riqueza de espécies entre os locais de coleta, estação, microclima, altitude e sexo, além de verificar a resistência dessas leveduras aos antifúngicos. Essa micobiota foi coletada por meio de swab cloacal em quarenta indivíduos de duas localidades com micro-climas diferentes. As leveduras foram identificadas por meio de avaliação de suas características macro e microscópicas, chromoagar e Maldi-TOF. Foram identificadas quinze leveduras diferentes. Sendo Geotrichum spp., Candida tropicalis, Candida krusei e Geotrichum silvicola as mais frequentes. Houve diferença significativa do número de espécies entre as estações e entre os locaisde coleta, mas não houve entre os sexos. Todas as leveduras foram sensíveis a anfotericina-B, uma resistente a nistatina, uma foi sensível ao itraconazol e quatro resistentes ao fluconazol. Esses animais possuem um grande potencial de dispersar agentes infecciosos, pois possuem em sua micobiota leveduras oportunistas e com grande potencial patogênico. Outros estudos comparando a micobiota desses animais com outros de vida livre pode esclarecer melhor o real potencial desses animais como dispersores.