Perfil de resistência fenotípica e genotípica de Staphylococcus aureus e Escherichia coli isoladas em amostras de frango, bovino e suíno no estado de Pernambuco, Brasil
Multirresistência bacteriana, carnes in natura, aves de produção.
Objetivou-se com esta pesquisa estudar o perfil de resistência fenotípica e genotípica aos antimicrobianos em isolados de Staphylococcus aureus de frangos de corte e poedeira comerciais, além de Escherichia coli e S. aureus em amostras de carnes (bovina, suína e frango) “in natura” comercializadas no município de Recife, Pernambuco. O estudo foi realizado em 200 amostras de swabs cloacais e traqueais coletados de 100 frangos de corte e 100 poedeiras comerciais no estado de Pernambuco, Brasil. As coletas de amostras de carne foram realizadas em todos os oito Distritos Sanitários da Cidade de Recife. Foram coletadas 120 amostras de carne “in natura”, sendo (40) bovina, (40) suína e (40) de frango em estabelecimentos comerciais (mercados, açougues e feiras livres). Das 200 amostras de swabs analisados, após isolamento e testes moleculares com Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), 5/200 (2,5%) amostras foram identificadas como S. aureus, todas procedentes de poedeiras comerciais. Destes, 100% (5/5) apresentaram os genes norA e norC, 3/5 (60%) apresentaram o gene msrA, 1/5 (20%) apresentou o gene blaZ e 1 (20%) apresentou o gene mecC. Nas amostras de carnes foram isoladas 150 colônias do gênero Staphylococcus que após análise fenotípica e molecular foram identificados 10 isolados de S. aureus, dos quais 7/10 (70%) foram procedentes de carne suína e 3/10 (30%) de carne de frango e todos os isolados foram multirresistentes. Dos isolados, 10/10 (100%) apresentaram o gene norC, 9/10 (90%) apresentaram tet 38 e 6/10 (60%) e os genes norA e blaZ. Na técnica de PFGE, detectou-se 8 pulso tipos diferentes, sendo 2 com similaridade de 100; o primeiro clone estava presente em 2 amostras de carne suína e o segundo clone estava tanto na carne suína quanto na carne de frango. Nos 40 isolados de Escherichia coli observou-se que 23/40 (57,5%) apresentaram resistência fenotípica aos beta-lactâmicos de espectro estendido. Já nos testes genotípicos 23/40 (57,5%) apresentaram o gene blaTEM e 21/40 (52,5%), o gene blaSHV. Conclui-se que existe uma grande necessidade de intervenção e educação em saúde com orientação aos médicos veterinários e produtores quanto ao uso racional dos antibióticos, tornando necessária a intervenção dos órgãos de saúde humana e animal para o enfrentamento da resistência antimicrobiana.