CARACTERIZAÇÃO MOLECULAR DE Staphylococcus aureus EM HUMANOS E ANIMAIS EM UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA DE RECIFE E EM SEU ENTORNO
MRSA; Resistência Antimicrobiana; Infecções Associadas a Saúde; Saúde Única; Resistência aos Beta-lactâmicos
O fenômeno da resistência antimicrobiana (AMR) representa um desafio premente para a segurança da saúde em escala global. Particularmente, o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) emerge como um patógeno crítico, desafiando as estratégias de tratamento e prevenção existentes. Este estudo, situado em unidades de atenção primária à saúde de Recife, Brasil, foi desenhado para elucidar a prevalência e os padrões de resistência de S. aureus entre profissionais da saúde, pacientes, animais de estimação e nos ambientes hospitalares. Este estudo foi desenvolvido entre julho de 2022 e janeiro de 2023, envolveu a coleta de amostras através de swabs nasais e das mãos dos profissionais de saúde e pacientes, além de swabs orofaríngeos de animais domésticos. Amostras ambientais foram também colhidas. A confirmação de S. aureus e a detecção de genes de resistência foram realizadas por meio da técnica de PCR, seguida por testes fenotípicos de resistência antimicrobiana, utilizando o método de difusão em disco. Dos 273 isolados pertencentes ao gênero Staphylococcus, 106 (39,19%) foram confirmados como S. aureus. Entre os profissionais de saúde, detectou-se uma alta taxa de portadores (74,07%), dos quais 65,42% eram portadores do gene mecA, indicativo de MRSA. Além disso, foi observada uma resistência substancial aos antibióticos beta-lactâmicos, atingindo 76,42% dos isolados. A presença de genes associados a bombas de efluxo, como norA e norC, foi frequentemente identificada, sugerindo um mecanismo de resistência prevalente. Análises fenotípicas revelaram uma proporção alarmante de isolados de S. aureus MDR (resistentes a múltiplas drogas), com 31% exibindo resistência a três ou mais classes de antibióticos. As elevadas taxas de portadores de S. aureus e a resistência a múltiplas drogas, tanto em indivíduos quanto no ambiente hospitalar, sublinham a necessidade urgente de medidas de controle de infecção mais eficazes e de uma administração de antibióticos mais criteriosa. Este estudo salienta a imperatividade de uma abordagem integrada, conforme os princípios da iniciativa da Saúde Única, que congrega a saúde humana, animal e ambiental, para manejar e atenuar a propagação da AMR. Os resultados reforçam a necessidade de uma vigilância contínua, fundamental para informar políticas e práticas destinadas a preservarem a eficácia dos antimicrobianos e proteger a saúde pública.