Ação anti-inflamatória e anti-infectiva da lectina de Canavalia brasiliensis em modelos experimentais de listeriose
Listeria monocytogenes é o agente causador da listeriose, uma doença de origem alimentar que afeta seres humanos e animais. Considerando o desenvolvimento de formulações imunoterapêuticas para o controle de infecções microbianas, estudos anteriores apontam para diversas ações biológicas da lectina vegetal ConBr, tais como: ações imunomodulatória, antimicrobiana, cicatrizante, ação neuroprotetora, ativação in vivo de linfócitos T e indução de apoptose celular. Neste estudo, objetivou-se esclarecer o potencial imunomodulatório da lectina de Canavalia brasiliensis no tratamento de infecções experimentais causadas por Listeria monocytogenes. Previamente, ensaios de citotoxicidade com diferentes dosagens de ConBr (100 a 0,78 µg/mL) foram realizados com culturas primárias de macrófagos obtidas da cavidade peritoneal dos animais, sendo a viabilidade celular determinada por meio de avaliação da atividade metabólica celular, com a utilização de resazurina, logo depois, foi realizado a quantificação intracelular bacteriana do interior dos macrófagos. No desenho experimental, camundongos Swiss (N=20) foram inoculados em uma suspensão de L. monocytogenes (
) por via oral e, após 24h, tratados via intraperitoneal, com dosagens atóxicas da lectina ConBr 10mg/kg e 1mg/kg associada ou não a antibiótico. Após 24h do tratamento os animais foram submetidos a eutanásia para coleta de material biológico, como: sangue, fluído peritoneal, baço e fígado, para análises de Unidades Formadoras de Colônia, extração de RNA e contagem total e diferencial de leucócitos. Em outro experimento, outros 40 animais foram tratados e monitorados durante 7 dias para análise da taxa de sobrevivência. Os resultados das análises in vitro mostraram que a ConBr aumentou a viabilidade celular dos macrófagos infectados por Listeria monocytogenes, além de corroborar com a maior eliminação de bactérias no interior dos macrófagos, apesar de não apresentar um efeito antimicrobiano direto contra L. monocytogenes. Nos testes in vivo, a administração de ConBr reduziu de forma significante o recrutamento de leucócitos para a cavidade peritoneal e a quantidade de leucócitos circulantes no sangue. Também foi observado diferença significativa na quantificação de UFC/mL fígado, baço, fluído peritoneal e sangue quando comparados entre os grupos infectados com tratamento de ConBr 1mg/kg e ConBr 10mg/kg e o grupo não tratado/infectado. A análise da taxa de sobrevivência dos animais revelou que 50% dos animais sobreviveram ao tratamento com doses de ConBr 10mg/kg e 1mg/kg, em contrapartida, todos os animais do grupo infectado/sem tratamento (grupo PBS) foram à óbito. Por conseguinte, os resultados obtidos apontam para uma perspectiva promissora em relação ao potencial da utilização da ConBr como anti-inflamatório e controle de infecção sistêmica causadas por Listeria monocytogenes.
ConBr, Listeria monocytogenes, listeriose, adjuvantes terapêuticos, ação imunomodulatória.
Listeria monocytogenes é o agente causador da listeriose, uma doença de origem alimentar que afeta seres humanos e animais. Considerando o desenvolvimento de formulações imunoterapêuticas para o controle de infecções microbianas, estudos anteriores apontam para diversas ações biológicas da lectina vegetal ConBr, tais como: ações imunomodulatória, antimicrobiana, cicatrizante, ação neuroprotetora, ativação in vivo de linfócitos T e indução de apoptose celular. Neste estudo, objetivou-se esclarecer o potencial imunomodulatório da lectina de Canavalia brasiliensis no tratamento de infecções experimentais causadas por Listeria monocytogenes. Previamente, ensaios de citotoxicidade com diferentes dosagens de ConBr (100 a 0,78 µg/mL) foram realizados com culturas primárias de macrófagos obtidas da cavidade peritoneal dos animais, sendo a viabilidade celular determinada por meio de avaliação da atividade metabólica celular, com a utilização de resazurina, logo depois, foi realizado a quantificação intracelular bacteriana do interior dos macrófagos. No desenho experimental, camundongos Swiss (N=20) foram inoculados em uma suspensão de L. monocytogenes () por via oral e, após 24h, tratados via intraperitoneal, com dosagens atóxicas da lectina ConBr 10mg/kg e 1mg/kg associada ou não a antibiótico. Após 24h do tratamento os animais foram submetidos a eutanásia para coleta de material biológico, como: sangue, fluído peritoneal, baço e fígado, para análises de Unidades Formadoras de Colônia, extração de RNA e contagem total e diferencial de leucócitos. Em outro experimento, outros 40 animais foram tratados e monitorados durante 7 dias para análise da taxa de sobrevivência. Os resultados das análises in vitro mostraram que a ConBr aumentou a viabilidade celular dos macrófagos infectados por Listeria monocytogenes, além de corroborar com a maior eliminação de bactérias no interior dos macrófagos, apesar de não apresentar um efeito antimicrobiano direto contra L. monocytogenes. Nos testes in vivo, a administração de ConBr reduziu de forma significante o recrutamento de leucócitos para a cavidade peritoneal e a quantidade de leucócitos circulantes no sangue. Também foi observado diferença significativa na quantificação de UFC/mL fígado, baço, fluído peritoneal e sangue quando comparados entre os grupos infectados com tratamento de ConBr 1mg/kg e ConBr 10mg/kg e o grupo não tratado/infectado. A análise da taxa de sobrevivência dos animais revelou que 50% dos animais sobreviveram ao tratamento com doses de ConBr 10mg/kg e 1mg/kg, em contrapartida, todos os animais do grupo infectado/sem tratamento (grupo PBS) foram à óbito. Por conseguinte, os resultados obtidos apontam para uma perspectiva promissora em relação ao potencial da utilização da ConBr como anti-inflamatório e controle de infecção sistêmica causadas por Listeria monocytogenes.