Filarídeos em cães em uma área costeira do Estado de Pernambuco
Dirofilaria immitis, Cercopithifilaria bainae, Acantocheilonema reconditum, Área de praia, Vetores, Zoonose.
Os filarídeos são parasitos nematódeos que acometem diferentes espécies de animais, incluindo cães domésticos, canídeos selvagens, felinos e humanos. Dentre as espécies de importância médico-veterinária que acometem os cães, destacam-se os gêneros Dirofilaria e Acanthocheilonema, encontrados no sangue; e as microfilárias que habitam a pele representadas pelos gêneros Cercopithifilaria e Onchocerca. O objetivo desse estudo foi determinar a prevalência da infecção por filarídeos sanguíneos e dérmicos em cães residentes em uma área costeira do Estado de Pernambuco. De fevereiro a setembro de 2021, amostras de sangue (n = 245) foram coletadas e armazenadas em tubos plásticos contendo anticoagulante (ácido etilenodiamino tetracético - EDTA) para realização do teste Knott modificado, seguido do teste ELISA qualitativo (SNAP® 4Dx® Plus, IDEXX Laboratory, Wes-tbrook, Maine, EUA) e assim detectar anticorpos contra Anaplasma spp., Borrelia burgdorferi sensu lato, Ehrlichia spp. e antígenos de Dirofilaria immitis. Foram incluídos neste estudo fragmentos de amostras de pele (n = 71) examinados microscopicamente e molecularmente por meio de PCR visando o gene 12S rDNA. Foram detectados em 24 (9,8%; 95% CI = 6,7–14,2) animais, microfilárias e antígeno de D. immitis. No teste ELISA, 9 (3,67%) animais microfilarêmicos obtiveram resultados negativos. A co-infecção entre Dirofilaria immitis e outros patógenos predominaram sobre infecções isoladas por D. immitis (χ2 = 4,381; p = 0,0363). Nenhum filarídeo foi detectado na pele após análises microscópicas e moleculares. Em quatro municípios diferentes foram encontrados cães positivos para D. immitis, incluindo dois (Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca), nos quais há um intenso fluxo de animais e humanos atraídos pelas atividades turísticas dessas localidades. Os dados deste estudo demonstram que D. immitis é o principal nematódeo filarídeo que infecta cães em áreas de praia no nordeste do Brasil. Medidas preventivas como coleiras repelentes e compostos microfilaricidas devem ser usadas para prevenir a infecção canina associado ao manejo ambiental correto nessas áreas a fim de controlar as populações de vetores.