AVALIAÇÃO DA CARGA PARASITÁRIA E PERFIL NA PRODUÇÃO DE ANTICORPOS NO MONITORAMENTO TERAPÊUTICO EM CÃES COM INFECÇÃO NATURAL POR Leishmania infantum
Leishmaniose canina; tratamento; reação em cadeia de polimerase; fluorquinolona.
A leishmaniose visceral é uma doença parasitária cosmopolita e que acomete os animais silvestres, domésticos e o homem. No Brasil, a transmissão ocorre principalmente através da picada de flebotomíneos do gênero Lutzomyia e o cão é o principal vetor em ambientes urbanos. Nesses pacientes, a doença é sistêmica e crônica e se apresenta de forma assintomática ou sintomática com sinais variáveis, fato este que resulta em um diagnóstico muitas vezes complexo. O uso de medicamentos anti-Leishmania em cães, tem sido um desafio para o médico veterinário, por ser um tratamento contínuo, oneroso e muitas vezes com opções terapêuticas limitadas, assim terapias alternativas como marbofloxacina também estão descritas. Foram utilizados 26 cães domiciliados infectados por Leishmania infantum, de ambos os sexos, de raça variadas e idade entre um a sete ano, atendidos no serviço ambulatorial do Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Os animais foram divididos em dois grupos de tratamento: Grupo 1 (G1: 15 animais) tratados com marbofloxacina (Marbopet® Laboratório CEVA, Brasil) na dose de 2mg/kg/dia PO durante 28 dias e alopurinol na dose de 10mg/kg BID PO durante 180 dias e Grupo 2 (G2: 11 animais) tratados com miltefosina (Miltefora® Laboratório VIRBAC, Brasil) na mesma posologia da marbofloxacina. Os cães, de ambos os grupos, foram monitorados clinicamente nos dias zero, que é o início do tratamento (D0), 30 dias (D30),90 dias (D90) e 180 (D180) dias após o tratamento. No G1 (D0), a média do número de parasitos/μL na medula óssea foi de 239.267 com uma mediana de 13.792 parasitos/ μL. No grupo da miltefosina, a média foi de 965.795,1 parasitos/ μL com mediana de 117,8 parasitos/ μL. Os animais do G1 e G2 apresentaram 86,6% e 45,4% de redução nos escores clínicos nos primeiros três meses, respectivamente. A recidiva dos sinais clínicos foi observada em 9,1% do G2. Ao final do tratamento, a média da redução do escore clínico no G1 foi de 61,3% e 22,3% no G2. Os títulos de anticorpos diminuíram em 93.3% com o uso da marbofloxacina e alopurinol, contra 63.6% utilizando apenas miltefosina do final do tratamento (Gráfico 1). Porém, não houve diferença estatística (X2 = 0,016; p = 0,8982). O uso da marbofloxacina associada ao alopurinol mostrou ser uma nova opção terapêutica a ser utilizada no protocolo terapêutico da leishmaniose canina, porém deve ser utilizado de forma equilibrada, uma vez esse fármaco é uma fluorquinolona de terceira geração utilizada em diversas outras afecções. Novos estudos poderão demostrar a redução da infectividade em cães tratados com esse protocolo.