Determinantes genéticos de resistência a antimicrobianos em Staphylococcus spp. e bactérias da família Enterobacteriaceae isolados de leite de vacas e cabras com mastite subclínica em ecossistemas agropecuários do Nordeste brasileiro
resistência aos antimicrobianos; BLEE; MLS; MRS.
Objetivou-se estudar o perfil fenotípico e genético de resistência aos antimicrobianos em bactérias do gênero Staphylococcus e enterobacterias isoladas de leite cru de vacas e cabras no estado de Pernambuco. Foram coletadas amostras de leite de 426 vacas e 323 cabras, em 6 e 17 propriedades leiteiras bovinas e caprinas, respectivamente. As amostras de leite das vacas e cabras foram semeadas em ágar sangue ovino e incubadas a 37°C por até 48 horas. Colônias que se apresentaram como cocos Gram positivos foram submetidas ao teste de catalase para a identificação de Staphylococcus spp. Entre isolados de bovinos e caprinos, 16,9% (45/267) S. aureus, 13,1% (35/267) S. epidermidis, 12,7% (34/267) S haemolyticus e 19,5% (52/267) S. chromogenes foram identificadas utilizando PCR, enquanto que o 37,83% (101/267) não foram positivos para as espécies testadas. As bactérias Gram negativos foram identificadas utilizando provas bioquímicas padrão. Vinte e seis isolados de leite de vaca foram identificados como Escherichia coli (53,85% [14/26]), Proteus mirabilis (15,38% [4/26]), Klebsiella spp. (26,92% [7/26]) e Citrobacter spp. (3,85% [1/26]), as quais foram submetidas a um teste de triagem para identificação de bactérias produtoras de BLEE e a prova confirmatória DDT, utilizando cefotaxima (30 µg), ceftriaxona (30 µg), ceftazidina (30 µg) e amoxicilina com ácido clavulânico (30 µg). Dos 26 isolados de enterobactérias, 61,54% (16/26) foram positivos no teste de triagem para BLEE e 12,5% (2/16) foram positivos no DDT. Posteriormente, os 26 isolados foram analisados para os genes codificadores de BLEE, blaSHV e blaTEM, sendo que 53,85% (14/26) foram positivos para um ou os dois genes e 71,43% (10/14) foram identificados como Escherichia coli. Por outro lado, foram identificados 148 e 119 isolados de Staphylococcus spp. de vacas e cabras, respectivamente, para o estudo do perfil fenotípico de resistência na técnica de difusão em ágar Muller Hinton com os discos de antibióticos: penicilina (10 UI), tetraciclina (30 µg), cefoxitina (30 µg), eritromicina (15 µg), Clindamicina (2 µg) e ceftiofur (30 µg). Nos isolados de bovinos observou-se expressiva frequência de resistência à penicilina (52,03% [77/148]), seguido à tetraciclina (10,14% [15/148]), e nenhum isolado foi resistente a ceftiofur. Em relação as determinantes genéticas de resistência, o padrão mais observado foi a presença do gene blaZ (40,54% [60/148]) e do gene tetK (22,3% [22/148]). Nos isolados de cabras observou-se o mesmo padrão de resistência que nos isolados de vacas com a frequência de resistências à penicilina e à tetraciclina de 45,0% (53/119) e 30,3% (36/119), respectivamente. Em relação aos genes de resistência observou-se uma maior frequência do gene blaZ com 50,4% (60/119) e tetK com 45,0% (53/119). Nos Staphylococcus spp. de ambas espécies foi realizada o D – teste para identificar cepas capazes de induzir resistência à lincosamidas e estreptogramina, utilizando-se discos de eritromicina (15 µg) e clindamicina (2 µg). Nos isolados de Staphylococcus spp. de vacas foi obtido 0,7% (1/148) de D – teste positivo, 7,4% (11/148) foram resistentes aos MLS, 1,4% (2/148) apresentaram resistência somente aos MS e 2,7% (3/148) foram resistentes à clindamicina (L+). Para os isolados de cabras foi obtido 3,4% (4/119) D - teste positivo, 0,8% (1/119) foram resistentes aos MLS e 0,8% (1/119) foram L+. Os resultados obtidos demonstram a circulação de cepas resistentes aos antimicrobianos no sistema agropecuário do estado de Pernambuco, representando um risco à saúde animal e pública.